Os administradores judiciais da Ambar defendem a inviabilidade da empresa e propõem a liquidação do seu património «com a maior urgência» para pagar aos credores, segundo o relatório de insolvência a que a Lusa hoje teve acesso.

Nos termos do relatório de insolvência da emblemática empresa de produtos de papelaria do Porto, que tem assembleia de credores marcada para 17 de setembro, «insistir na recuperação da empresa, sem ficar demonstrado que é possível pô-la a laborar em área de resultados positivos, terá como consequência o delapidar dos poucos ativos que restam, ou então, o agravamento do seu passivo, através de mais salários em atraso ou acumular de dívida fiscal e juros».

Para os administradores Armando Rocha Gonçalves e José da Costa Araújo, «a marca Ambar, a posição contratual na locação financeira, as máquinas e os poucos stocks que vão restar, terão algum valor numa operação de venda do estabelecimento como um todo, sem passivo e sem trabalhadores».

Neste contexto, defendem no relatório de insolvência «que seja promovida, com a maior urgência, a venda do estabelecimento», embora admitam que os «precários» ativos «precários» valerão uma «pequena fração» dos mais de 14,5 milhões de euros reclamados pelos credores da Ambar.

A posição dos administradores judiciais colide com a intenção assumida por dois quadros superiores da empresa ¿ o diretor de recursos humanos e a diretora financeira, funcionários da Ambar há mais de 20 anos ¿ de, no âmbito do processo de insolvência em curso, apresentarem um plano de recuperação da unidade.

Contudo, os administradores de insolvência destacam no relatório que a empresa está, «hoje, praticamente paralisada», com a laboração industrial suspensa e apenas a vender os stocks existentes, sendo que 90 dos 150 trabalhadores «já foram dispensados de comparecer» ao trabalho.

«Sem encomendas», acrescentam, a Ambar «não tem capacidade para adquirir matérias-primas, perdeu as licenças para produzir e vender marcas que lhe estavam concessionadas, não tem crédito bancário nem acesso a factoring e dissipou, por força dos prejuízos acumulados, a maior parte do património construído em vida do seu fundador».

Armando Rocha Gonçalves e José da Costa Araújo apontam ainda a forte quebra de faturação para defender que «a empresa tem sido gradualmente expulsa do mercado» e referem os prejuízos recorrentes dos últimos quatro exercícios, que em 2012 chegaram aos 3,5 milhões de euros.

A este facto acresce que «as perdas diárias em custos de exploração andam na casa dos 10 mil euros».

Para os administradores, «os motivos da insolvência estarão certamente relacionados com a atual crise de negócios, mas, também, com as alterações que este tipo de comércio sofreu nos tempos mais recentes, designadamente com o grande volume do seu movimento a passar-se para as mãos das grandes superfícies».

«As empresas, tal como as árvores e as pessoas, nascem, crescem, morrem e dão lugar a outras», sustentam, recordando que a marca Ambar, mesmo tendo «algum valor, não será, certamente, fator de decisão de compra como acontecerá com um automóvel, um computador, uma máquina fotográfica ou até uma peça de roupa de moda».