A Rússia e a Ucrânia não chegaram a um acordo para solucionar a disputa do preço do gás e o pagamento por Kiev pelas exportações de combustível russo, anunciaram hoje os ministros da Energia de ambos os países.

«Infelizmente não conseguimos chegar a um acordo hoje. Não encontrámos uma solução sobre o preço e o mecanismo de pagamento. Desafortunadamente não demos nenhum passo e estamos no mesmo ponto em que estávamos a 2 de junho», disse o ministro da Energia ucraniano, Yuri Prodan, no final de uma reunião à porta fechada em Bruxelas.

Yuri Prodon referiu ainda que se mantém o acordo alcançado nesse dia para se chegar a uma solução quanto ao preço e ao pagamento da dívida, tendo entretanto dito que «a posição russa sobre o preço do gás mudou».

«Moscovo propôs um mecanismo de fixação do preço que implica uma redução baseada numa baixa das exportações», salientou.

Do lado ucraniano, disse, as autoridades governamentais «não aceitaram o mecanismo» para a fixação do preço.

«Nós queremos chegar a um acordo sobre o preço baseado no mercado», realçou.

O ministro ucraniano disse ainda que a Comissão Europeia (CE), que surge nestas negociações como mediadora, fez «algumas propostas que vamos ter em conta», tendo avançado que a «boa notícia» é que «as negociações vão continuar».

Os negociadores ucranianos e russos acordaram voltar a reunir-se nas próximas horas, sem darem mais pormenores.

«Se não chegarmos a um acordo, as relações entre a Ucrânia e a Rússia serão tratadas no Tribunal de Arbitragem de Estocolmo», disse Prodan.

O ministro russo da Energia, Aleksandr Novak, por seu turno, insistiu no facto de a Ucrânia dever pagar 1.451 milhões de dólares antes que acabem estas negociações, montante que corresponde à importação do gás russo por Kiev entre dezembro e novembro de 2013.

«A posição russa manteve-se sem alterações», disse o ministro, apesar de os negociadores ucranianos terem proposto «uma proposta de acordo» que previa os pagamentos pendentes relacionados com os dois últimos meses do ano passado.

Novak referiu também que a Ucrânia deve à Rússia outros 500 milhões de dólares pelo gás recebido entre abril e maio deste ano.

«Pela primeira vez nas nossas consultas abordámos a questão relacionada com os preços do gás no futuro [junho, julho e agosto]», sublinhou.

O ministro russo confirmou que Moscovo continua comprometido com os acordos alcançados e que o plano proposto hoje «poderia e deveria ser aceite por todas as partes e interessados».

O comissário europeu da Energia, Günther Oettinger, disse que ambas as partes se comprometeram em evitar «erros» que comprometam as negociações, tendo realçado que vão continuar a negociar, apesar de «algumas posições diferentes».

Esta é a quinta reunião ministerial que os dois países realizam sobre o gás.

A União Europeia é um dos interessados na resolução do diferendo entre a Ucrânia e a Rússia porque 39% do gás a comunidade europeia consome vem da Rússia, sendo que a grande parte passa pela Ucrânia.