Se está convicto que o Orçamento do Estado para 2018 será aprovado? "Com certeza". Confiança é o que transmite o primeiro-ministro, que diz que as negociações com BE, PCP e PEV foram "muito construtivas", como em 2016 e durante este ano. Num momento em que o principal partido da oposição, o PSD, vive uma crise interna, António Costa deseja que a resolva e mostra-se confortável em ter como novo líder Rui Rio ou Santana Lopes. Abre a porta ao diálogo, conta com os social-democratas sobretudo em questões "estruturantes" para o país, mas recusa a ideia de bloco central. Com a chamada geringonça, este governo "quebrou um tabu" e parece satisfeito. 

Tenho a certeza que com qualquer nova liderança do PSD será possível falarmos normalmente, trabalharmos para aquilo que têm de ser estratégias - como o Portugal 2020 que, transcendendo o horizonte da legislatura, requer grande consenso. Já disse, aliás, que desejava um acordo político na AR o mais alargado possível, que também se envolva o PSD e sem excluir os parceiros parlamentares".

Será mais fácil trabalhar com Rui Rio ou com Santana Lopes - que já se sabe que serão candidatos -, do que com Passos Coelho? "Não quero ser desagradável face à atual liderança do PSD, o que tinha de ser dito está dito e encerrado. Quer com Rui Rio, quer com Santana Lopes, conheço bastante bem, e com quem tive oportunidade de trabalhar no passado. Tenho muita boa experiência de trabalho com um e com outro", disse aos jornalistas, à margem do lançamento do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, na Culturgest, em Lisboa.

Mas uma coisa fica desde já clara: "Eu não sou defensor da ideia de bloco central, mas de escolhas, de alternativas". É isso, de resto, que Costa entende que a atual governação tem vindo provar.  Prefere acordos à esquerda? "Não, prefiro que acha sempre a possibilidade de escolhas claras sobre o caminho a seguir".

O Governo nunca teve dificuldades em falar com ninguém. Este governo resulta da capacidade de termos gerado organização política original, rompendo velhos tabus de diálogo. Nunca tivemos na AR quadro onde todas as forças políticas têm participação ativa, sem exclusão de ninguém".

O momento atual é simbólico e importante a esse nível, com a negociação e agora o sprint final da entrega, discussão e aprovação do Orçamento do Estado. "O país vai ter um terceiro ano consecuivo de política orçamental que aposta no crescimento e na criação de emprego, sem ignorar contas públicas sãs". 

Garantia de António Costa, que assinalou que "o crescimento robusto" da economia dá uma "margem de conforto importante", mas sem esquecer que ainda é preciso um esforço de consolidação orçamental para reduzir a dívida pública.

Se o documento vier, como acredita, a ser aprovado pelo Parlamento no início de novembro, janeiro contará depois com nova liderança do PSD. Sobre se teme ou não uma oposição mais forte, relativiza, dizendo que deseja a ambos os candidatos "os maiores sucessos" e sublinhando que "não há nenhuma democracia sem oposições fortes". "É algo desejável. duas personalidades que conheço bem, não serão surpresa para ninguém".

Não estou a fazer apelo nenhum (ao PSD). a minha posição não é governar oposição. o PS já passou por crises, tenho a certeza que PSD conseguirá superá-la também". 

O primeiro-ministro conta com os social-democratas em matérias de "consenso estruturante", como defesa, política externa, grandes infraestruturas, educação e segurança social.