O Governo sul-coreano anunciou, esta segunda-feira, que vai aplicar uma multa de cerca de 247 mil euros ao construtor automóvel japonês Nissan, acusado de ter manipulado as emissões poluentes do modelo Qashqai.

O Ministério do Ambiente sul-coreano precisou que vai dar indicações para a recolha de centenas de exemplares deste modelo, depois de testes terem revelado que as versões a 'diesel' estavam equipadas com um sistema que permite que as emissões poluentes pareçam menos do que na realidade são.

Esta decisão surge na sequência de investigações feitas a 20 modelos de viaturas a 'diesel' em dezembro na Coreia do Sul, após o escândalo da Volkswagen. O construtor alemão admitiu, no ano passado, ter instalado dispositivos que permitiam manipular os testes de emissões poluentes em 11 milhões de veículos em todo o mundo.

"As nossas investigações concluíram que a Nissan manipulou ilegalmente os dados de emissões" poluentes nos motores do referido modelo, indicou o ministério em comunicado.

Um grupo de peritos da indústria automóvel que consultámos considera que se trata claramente de uma manipulação de dados de emissões", afirmou Hong Dong-Kon, um responsável do ministério.

Os testes feitos pelas autoridades sul-coreanas mostraram que o Qashqai desativa o mecanismo de redução das emissões a partir de uma temperatura de 35 graus. Segundo o ministério, com o aparelho de redução de emissões parado, o nível de emissões do veículo era equivalente ao das viaturas da Volkswagen equipadas com o dispositivo que permite falsear os níveis poluentes.

A Nissan não manipula os dados das suas viaturas. O Nissan Qashqai foi corretamente homologado no âmbito das normas coreanas. A Nissan não tem nem utiliza qualquer dispositivo ilegal destinado a enganar nos veículos que fabrica", reagiu o grupo japonês em comunicado.

"Além disso, após rigorosos testes usando os mesmos padrões que os testes coreanos, as autoridades da União Europeia (UE) concluíram que os veículos Nissan testados não utilizam qualquer dispositivo ilegal destinado a manipulações", acrescentou.

A marca japonesa, parceira do grupo francês Renault, refere ainda que vai colaborar com Seul neste caso. "A Nissan está empenhada em respeitar a lei e cumprir as normas em todos os mercados em que opera. Vamos continuar a trabalhar com as autoridades coreanas", segundo o comunicado.

O grupo Renault, que fornece os motores a 'diesel' do Qashqai, foi questionado pela France Presse sobre o assunto e não quis pronunciar-se remetendo para o parceiro japonês.