O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Mota Soares, disse esta segunda-feira em Bruxelas que Portugal quer ser pioneiro a lançar o combate, ao nível da União Europeia, ao desemprego de longa duração, a exemplo do juvenil.

«Da mesma forma que Portugal foi pioneiro na discussão e na aplicação da Garantia Jovem, entendemos que é muito importante agora sermos pioneiros a falar do caso do desemprego de longa duração porque é também certamente um problema forte a nível europeu», disse à agência Lusa Pedro Mota Soares.

O desemprego de longa duração, salientou o ministro, «é um problema económico, mas é acima de tudo um problema social», adiantando a necessidade de encontrar medidas para combatê-lo.

Portugal vai lançar dois programas específicos dirigidos a desempregados de longa duração com mais de 30 anos «porque reconhecemos que o desemprego de longa duração continua a ser um problema efetivo para muitos portugueses».

Mota Soares adiantou que uma das medidas - Vida Ativa – serve para «dar formação em meio de trabalho, em local de trabalho, a desempregados de longa duração».

Ao mesmo tempo, salientou, o Governo vai lançar o programa Reativar, que prevê a criação de estágios «para dar uma segunda oportunidade».

Com a medida Vida Ativa, de formação de desempregados de longa duração em contexto de local de trabalho, o Governo vai gastar 30 milhões de euros e pretende atingir 20 mil trabalhadores até abril, bem como a medida Reativar, que visa criar oportunidades para desempregados com mais de 31 anos.

Com esta medida, que conta com uma majoração no caso de os beneficiários serem desempregados com mais de 45 anos, o Governo quer atingir 12 mil portugueses ao longo de todo o ano, estimando investir neste programa 43 milhões de euros.

Mota Soares falava à Lusa à margem de uma conferência sobre desemprego juvenil.

A medida ativa de emprego – REATIVAR – tem como objetivo promover a reintegração profissional de pessoas desempregadas de longa duração e de muita longa duração, com mais de 30 anos de idade, através da realização de estágios profissionais.

Estes estágios profissionais destinam-se a desempregados inscritos há pelo menos 12 meses nos centros de emprego e que nunca tenham sido abrangidos por uma medida ativa de emprego deste género.

Os estagiários receberão uma bolsa que pode variar entre o valor de 1 Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que corresponde a 419,22 euros, e o equivalente a 1,65 IAS, dependendo do seu nível de qualificação.

A bolsa de estágio será comparticipada entre 65% a 95% pelo IEFP, consoante a situação da entidade empregadora e do desempregado.