O economista José da Silva Lopes morreu esta quinta-feira, aos 82 anos, em Lisboa.

Foi ministro das Finanças do PS - António Costa recordou já a «brilhante carreira» de Silva Lopes, na reação à sua morte - e governador do Banco de Portugal. 

A sua vida foi dedicada aos números, à economia portuguesa e a um país que considerou «profundamente desigual» e «bastante corrupto». O Nobel da Economia Paul Krugman dedicou-lhe um artigo no «The New York Times» assim que soube da notícia da morte

O Presidente da República, Cavaco Silva, também considera Silva Lopes uma  «referência cimeira do pensamento económico português».

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também emitiu uma nota de pesar, recordando que  Silva Lopes serviu o país com «isenção e dignidade».

Nascido em Seiça, concelho de Ourém, distrito de Santarém, em 1932, José Silva Lopes licenciou-se em Finanças no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e ocupou vários cargos de relevo, com funções de muita visibilidade.

Em comunicado, o Banco de Portugal manifestou o seu «voto de mais profundo pesar».
 

«José da Silva Lopes foi um dos mais eminentes e reconhecidos economistas portugueses do século XX, tendo sido um atento investigador da economia nacional. (...) Governador do Banco de Portugal entre 1975 e 1980, conduziu a gestão do banco central num momento particularmente difícil da história económica e financeira recente do país».


Silva Lopes foi também administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), representante de Portugal junto do Banco Mundial e Presidente do Conselho Económico e Social.  «Hoje era ainda membro por inerência do Conselho consultivo do Banco de Portugal», salienta o BdP na nota.

José Silva Lopes, que foi governador do BdP entre 1975 e 1980, «conduziu a gestão do banco central num momento particularmente difícil da história económica e financeira recente do país».

Enquanto governador, «foi responsável pela introdução em Portugal do regime cambial de 'crawling-peg' (ou seja, de desvalorizações programadas do escudo), que ajudou a ultrapassar o período de profunda instabilidade macroeconómica vivido na sequência do primeiro choque petrolífero e da mudança de regime», salienta o BdP.

Silva Lopes «contribuiu ainda decisivamente para que, nos anos seguintes, o Banco de Portugal se afirmasse como um centro de excelência na análise económica e foi determinante para o reforço do prestígio da investigação económica realizada na instituição», acrescenta.

Nos anos 90, «teve também um papel fundamental na reformulação da legislação aplicável ao sistema financeiro português». «Nas sua relações pessoais e profissionais" Silva Lopes "cultivou sempre a vertente humana, a franqueza e a amizade».

O Conselho de Administração do BdP «promoverá oportunamente a realização de uma conferência internacional" em sua memória».

Em 2003, Silva Lopes foi agraciado pelo Presidente da República com a Grã Cruz da Ordem de Cristo, pela sua atividade de 48 anos como economista, quase sempre ao serviço do Estado.