A Moody’s prevê que o programa de estímulos anunciado na quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) terá apenas «um efeito limitado» no crescimento, no crédito e na inflação na economia da Zona Euro.

O BCE aprovou um programa de compra de dívida pública e privada, a um ritmo mensal de 60 mil milhões de euros, a começar em março de 2015 e até, pelo menos, setembro de 2016.

Em documento divulgado esta sexta-feira, a agência de notação financeira admite porém que este programa do BCE vai ser positivo para os emissores de dívida na Zona Euro, dependendo o seu sucesso do aumento do crescimento e da inflação.

«Os efeitos do programa, em termos de crédito, vão variar, mas pensamos que sejam limitados», disse uma vice-presidente sénior da Moody’s, Marie Diron, que acrescentou esperar «um impacto limitado no crescimento e na inflação».

Diron acrescentou que «um enfraquecimento do euro vai ajudar os exportadores da Zona Euro e deve ser, provavelmente, o mais efetivo dos vários canais através dos quais o programa pode funcionar». Porém, relativizou, «o relativamente fraco crescimento global deve limitar os benefícios de curto prazo de uma maior competitividade-preço».

De forma mais desagregada, a Moody’s identifica alguns fatores que podem comprometer a intenção associada ao programa do BCE. Um primeiro é o de as medidas anunciadas pelo BCE serem esperadas pelos investidores, o que fez com que alguns dos efeitos esperados já tenham ocorrido, designadamente em termos de descida de taxa de juro.

Depois, a capacidade de os bancos da Zona Euro concederem mais crédito é limitada por fortes exigências legais relativas ao seu capital e, por fim, a descida dos preços do petróleo pode anular parte do efeito inflacionista do programa.

A Moody’s prevê mesmo que a inflação na Zona Euro seja negativa em 2015, em torno de 0,5%.