Tomás Correia vai continuar a desempenhar o seu mandato até ao fim, à frente da associação mutualista do Montepio. Só se for as acusações de que é alvo por parte do Banco de Portugal forem provadas é que admite renunciar.

Se alguma vez se colocar a possibilidade de transitar em julgado algo a meu desfavor, em qualquer tribunal, por quaisquer actos ilícitos, abdicarei do exercício das minhas funções", lê-se num comunicado do gestor divulgado à imprensa.

Este e oito ex-gestores do Montepio acabam de ser acusados pelo Banco de Portugal de terem financiado o GES durante o primeiro semestre de 2014, numa altura em que o Grupo Espírito Santo apresentava já dificuldades financeiras evidentes.  

Porém, Tomás Correia está "profundamente convicto e seguro de que isso não vai acontecer". "Estou tranquilo relativamente ao desfecho destas, e de outras acusações que me foram dirigidas." 

Não é difícil contextualizar as notícias num momento em que se questiona a separação da Caixa Económica do património que pertence aos Associados da Associação Mutualista. É precisamente para nos batermos contra esse tipo de correntes, que em nada favorecem o bom nome do Montepio e dos trabalhadores e gestores que aqui trabalham, que levarei até ao fim o mandato que me foi confiado, ao serviço de todos os Associados do Montepio.”

O comunicado destaca que se trata de uma "matéria sujeita a sigilo". Daí não ser possível "publicamente contrapor", "reduzindo o devido espaço para esclarecimento".

Foram aprovadas por Tomás Correia pelo menos duas operações de financiamento que tiveram consequências para a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). O beneficiário foi Paulo Jorge Guilherme, filho do construtor José Guilherme, que obteve o crédito através do Finibanco Angola, para adquirir unidades de participação do Fundo de Participação da CEMG. Isso aconteceu já depois de as sociedades do universo Espírito Santo, encabeçado por Ricardo Salgado, terem pedido a proteção de credores. 

A caixa económica teve registar imparidades extraordinárias, nas contas desse ano, no valor de 140 milhões de euros, tendo apresentado, no fim de contas, prejuízos de 187 milhões de euros. 

Os gestores foram noficiados na primeira semana de março e têm 30 dias para apresentar a sua defesa ao supervisor. Arriscam pagar coimas que podem chegar a quatro milhões de euros.