A transferência para o BES da responsabilidade pelas obrigações seniores por este emitidas e que tinham sido passadas para o Novo Banco vai ter "um impacto muito negativo" no financiamento da economia, considerou o líder do Montepio Geral Associação Mutualista.

"O meu comentário não é positivo relativamente à medida. Eu acho que quando se tomam decisões desta natureza é preciso estudar umas quantas outras, nomeadamente, saber que consequências é que isto pode ter no futuro para o financiamento do sistema financeiro e da economia nacional", afirmou hoje aos jornalistas o presidente da associação mutualista que é dona da Caixa Económica Montepio Geral.

"Eu penso que isto vai ter um impacto muito negativo quando os investidores forem solicitados a financiar a economia nacional, nomeadamente, o sistema financeiro, e se lembrarem da medida que se tomou relativamente à dívida sénior do BES", reforçou, à margem do lançamento de um livro que marca os 175 anos da maior associação mutualista portuguesa.

A 29 de dezembro, o Banco de Portugal (BdP) passou para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas ou seniores por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais (como fundos de investimento, fundos pensões, seguradoras).

Com esta medida - que reverteu a que tinha sido tomada após a resolução do BES, quando o Banco de Portugal decidiu não imputar perdas aos credores seniores passando a dívida não subordinada do BES para o Novo Banco -, o Novo Banco foi recapitalizado em 1.985 milhões de euros, permitindo-lhe assim cumprir as exigências regulamentares.

Entretanto, surgiu a questão dos obrigacionistas seniores particulares porque, apesar de as emissões atingidas pela medida do Banco de Portugal terem sido inicialmente destinadas a investidores institucionais, alguns títulos foram depois vendidos a particulares.

O Banco de Portugal esclareceu que mesmo nos particulares a responsabilidade pelo reembolso e pela remuneração daquelas obrigações era mesmo do ‘banco mau’ BES, o que coloca em risco os pagamentos, devido à situação financeira grave daquela entidade.