Tempo é dinheiro. O ditado popular foi repescado pela ministra das Finanças, esta quarta-feira, na comissão de inquérito ao BES, para responder às declarações de Ricardo Salgado que, no Parlamento, disse que o banco foi forçado a desaparecer e que só precisava de tempo para resolver os seus problemas.

«Aquilo que o Dr. Ricardo Salgado terá dito é que precisava de tempo, mas verdadeiramente, neste caso, como em outros que me ocorrem, tempo é dinheiro e isso, aparentemente, é que não haveria»


Foi por isso que, segundo a ministra, «perante situação de ameaça à estabilidade financeira», «o Banco de Portugal adotou uma medida no âmbito dos poderes que a lei». Ou seja, a resolução que dividiu o BES em dois: banco mau e Novo Banco.

Maria Luís Albuquerque estava a ser interpelada pelo deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, que recordou as palavras da governante sobre o facto de tudo indicar «que o problema no GES e no BES, a queda do grupo e do banco se deveu a erros de gestão». A ministra já tinha comentado o assunto antes, também:

«Aquilo que Salgado fez foi pôr em prática um conjunto de determinações que, sabemos hoje, não terão sido cumpridas ou muitas não teriam sido cumpridas.O Banco de Portugal estava a atuar para que o que viesse a acontecer na área não financeira não tivesse impactos para o banco»


Quando utilizou o ditado popular, a ministra utilizou um tom de voz mais taxativo, para deixar clara a sua posição. Não tendo noção que o banco estaria descapitalizado, a ministra fez notar que «houve uma desobediência explícita» por parte da gestão do BES às determinações do Banco de Portugal e que foi isso que «gerou uma imediata queda dos rácios de capital» do banco.

«Aquilo que me foi transmitido sempre e que é público é que o que causou efetivamente o problema e a necessidade da medida de resolução foi o aparecimento de 1.500 milhões de euros a mais nos prejuízos, nos últimos dias, no apuramento de contas?».


Dinheiro que terá desaparecido, segundo o Banco de Portugal, o que Salgado contesta, dizendo que passou para o Novo Banco.

A ministra reafirmou que o Governo ia sabendo sobre o Banco Espírito Santo era através do supervisor e não teve razões para duvidar:  «Sim, confiei no Banco de Portugal».

Quanto ao reembolso do papel comercial do Grupo Espírito Santo vendido aos balcões do BES,  a ministra considera «lamentável se as pessoas foram induzidas em erro» e admite mesmo que houve quem tivesse sido «enganado», mas descartou que o Governo entre em cena para resolver a situação. 

A ministra revelou, por outro lado, que  foram movidos vários processos contra o Estado e contra os supervisores, no âmbito do caso BES. 

Quanto à venda do Novo Banco, admitiu: «Não podemos garantir que não haverá custos»