"Vamos reembolsar antecipadamente perto de dois mil milhões de euros ao FMI para poupar nos juros e fazemos este reembolso antecipado porque, com o nosso trabalho, conseguimos que os juros que pagamos no mercado da dívida sejam efetivamente mais baixos", afirmou Maria Luísa Albuquerque.

A ministra das Finanças, que falava durante um jantar com militantes da distrital do PSD/Oeste, no concelho do Cadaval, adiantou que o Governo "já iniciou os procedimentos" para fazer o reembolso antecipado "ainda este mês".

"Se a situação exterior é assim tão favorável, basta compararmo-nos com outro país da Europa que, em vez de antecipar pagamentos ao FMI, os adia", sublinhou a governante dirigindo-se ao PS que, lembrou, foi um dos partidos da esquerda a fazerem "referências elogiosas ao Governo" grego, liderado por Alex Tsipras.

A ministra das Finanças explicou que a antecipação das prestações para diminuir a dívida externa é possível graças ao "caminho de responsabilidade" que o Governo PSD/CDS-PP tem vindo a seguir, no sentido de reduzir a despesa e o défice que, recordou, era "superior a 11% do Produto Interno Bruto" quando o atual Governo entrou em funções, e que deverá ser "superior a 3% no final deste ano".

Do lado da despesa, sublinhou a redução do peso do Estado, dando como exemplos a poupança de 22 milhões de euros nos últimos quatro anos, com os automóveis oficiais do Estado, optando por gamas "mais baratas".

 

Ministra das Finanças diz que é possível reduzir impostos mas de forma gradual

A ministra das Finanças defendeu a redução dos impostos e a reposição dos cortes salariais da Função Pública "de forma gradual" nos próximos quatro anos e não já em 2017, como propõe o PS.

"Quando olhamos para os próximos quatro anos, vemos que temos condições reais para melhorar as condições de vida das pessoas, a reduzir o desemprego, a reduzir os impostos com a redução gradual da sobretaxa de IRS, com a reposição dos rendimentos dos trabalhadores do setor público", defendeu Maria Luís Albuquerque.

Contudo, ao contrário do PS, que propõe a reposição integral dos salários e o fim da sobretaxa do IRS já em 2017, a governante afirmou que a coligação PSD/CDS-PP pretende fazê-lo "gradualmente" nos próximos quatro anos.

"Se fizermos depressa demais, mais cedo ou mais tarde a situação agrava-se e tem de se tirar outra vez e os portugueses não merecem isso", justificou.

Referindo-se ao PS, cujo líder António Costa traçou como prioridade a criação de emprego na próxima legislatura, se ganhar as próximas eleições legislativas, a ministra das Finanças disse que, para o governo de direita, tem "naturalmente" a mesma prioridade.

Mas, como "quem cria emprego são as empresas", o PSD/CDS-PP preconiza que é necessário "criar-lhes condições" para isso, desde logo "baixar a carga fiscal", a começar pelo IRC, "para que as empresas tenham melhores condições para criar emprego".

Continuando a apontar diferenças entre programas políticos, Maria Luís Albuquerque criticou o PS por querer diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social para criar emprego.

"Diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social é aumentar impostos para as empresas. Não tenhamos ilusões", defendeu e continuou, questionando "como é possível pagarem mais impostos e criarem mais emprego".

Lembrando os 150 mil empregos prometidos pelo Governo anterior, a governante considerou que "o emprego não se cria assim", mas antes "aliviando o fardo sobre as empresas, criando confiança, fazendo com que o Estado não gaste mais do que aquilo que é indispensável e poupando naquilo onde se gasta muito."