O presidente executivo da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, afirmou esta quarta-feira que não recebeu qualquer oferta de compra pelas operadoras brasileiras Oi, Vivo e Claro sobre a participada da Telecom Italia.

A TIM Brasil, também conhecida por TIM Participações, é controlada pela Telecom Itália.

Nos últimos dias, a comunicação social tem noticiado que a Oi (que detém os ativos da PT Portugal), a Vivo e a Claro tinham chegado a acordo para fazer uma oferta sobre a TIM Brasil, para a sua compra, o que resultaria na divisão da empresa pelas três entidades.

Durante a conferência com analistas, citado pela agência de informação financeira Bloomberg, Rodrigo Abreu disse que a TIM Brasil não tinha recebido qualquer proposta.

Acrescentou que a operadora, detida em 67% pela Telecom Italia, está a analisar «novas oportunidades para fusões e aquisições estratégicas» e que pretende ser «protagonista» na consolidação do mercado de telecomunicações brasileiro.

Entretanto, o ministro das Telecomunicações brasileiro, Paulo Bernardo, criticou a intenção da Oi, da Vivo e da Claro de quererem dividir a TIM Brasil.

«Acham que a CMV [Comissão de Valores Mobiliários brasileira] e a CADE [regulador da concorrência] irão ficar quietas com as organizações que representam as companhias a dividir em peças a TIM? Acho que não», disse o ministro em Brasília, citado pela Bloomberg.

O governante acrescentou que as operadoras alegadamente envolvidas no negócio de divisão da TIM negaram a existência de acordo.

A imprensa brasileira tem avançado que o acordo existe e que essa é uma das razões pelas quais a Oi pretende vender os ativos da PT Portugal, já que isso permitiria reduzir o seu endividamento e ter encaixe financeiro para avançar com a proposta sobre a TIM Brasil.

No início da semana, o grupo francês Altice avançou com uma proposta de 7.025 milhões de euros para a compra da PT Portugal, excluindo o negócio em África, a dívida de quase 900 milhões de euros da Rioforte (empresa do Grupo Espírito Santo) e veículos financeiros.

Entretanto, a Bloomberg noticiou esta quarta-feira que o fundo britânico Apax, em conjunto com a CVC Capital Partners e a Bain Capital, está a analisar a possibilidade de avançar com uma proposta de cerca de 7.000 milhões de euros sobre os ativos da PT Portugal, numa operação em que espera contar com o apoio do Governo português.

Também hoje, a ZOPT, que é detida em partes iguais pela Sonaecom e pela empresária angolana Isabel dos Santos, manifestou a disponibilidade para «integrar uma solução» para a PT que promova «a defesa do interesse nacional».

O envolvimento de Isabel dos Santos numa solução para a PT Portugal poderia também resolver a questão dos ativos em África, uma vez que a Oi detém a Africatel através da PT Portugal, holding que detém 25% da Unitel, empresa controlada pela empresária angolana, a qual a operadora brasileira quer vender.

A ZOPT foi criada após a fusão da Optimus com a Zon, tendo a Sonaecom entrado neste veículo com uma parte das ações relativas à operação de concentração.

Esta empresa controla 50,1% do capital social da operadora de telecomunicações NOS.