O Facebook andas nas bocas do mundo e, mais uma vez, não é pelas melhores razões. A rede social “mais social” do planeta está a braço com a quebra de confiança na proteção de dados dos seus utilizadores.

Os fãs são os lesados, mas quando algo corre mal em uma empresa uma das consequências é sempre a perda de valor das ações em bolsa. Ou seja, os títulos do Facebook, esta sexta-feira, valem menos do que valiam antes do escândalo rebentar e quem investiu e não vendeu está, neste momento, a perder dinheiro.

A TVI24 falou com o economista e senior trader do Banco Carregosa, Paulo Rosa para nos ajudar a descodificar este episódio, à luz dos mercados financeiros.

- as ações do Facebook estão a cair por este “escândalo em concreto” ou já se verificava esta tendência?

As ações estão a ser penalizados pelo recente escândalo.

- é uma questão pontual?

O tempo o dirá. O que sabemos é que existe muitíssima informação sobre os utilizadores da rede social colocada pelas próprias pessoas ao dispor do Facebook.

- desde que entrou em bolsa é maior queda consecutiva do Facebook?

Não é em termos relativos e nem sequer em termos absolutos. A empresa começou a cotar em bolsa a 42,05 dólares/ação no dia 18 de maio de 2012 e perdeu, durante quase quatro meses consecutivos, até ao mínimo de sempre a 17,55 dólares/ação no dia 4 de setembro; ou seja, perdeu quase 60% e 24,5 dólares (perda absoluta) por ação, com os investidores muito desconfiados do valor do Facebook.

- Em termos anuais, trimestrais e semanais qual a evolução do título em bolsa?

EVOLUÇÃO ANUAL

EVOLUÇÃO TRIMESTRAL 

EVOLUÇÃO MENSAL E DIÁRIA

 

- quanto perdeu a empresa em bolsa desde que rebentou o escândalo?

Cerca de 45 mil milhões de dólares [36,5 mil milhões de euros ao câmbio desta sexta-feira].

- se eu tivesse 100 ações do Facebook quanto tinha perdido desde que começou a crise, esta crise?

Cerca de 1.500 dólares. A ação caiu 8,5% dos 185 USD/ação para 169,39 USD/ação no fecho do dia 21 de março.

- esta é “uma crise” confinada a esta empresa ou as ações deste área estão a ficar desinteressantes?

O futuro das redes sociais, como forma de partilhar e de comentar uma diversidade infinita de assuntos, continua assegurado. Muitos referem que as redes sociais são uma forma das próprias pessoas serem autoras de comentários e notícias como se de jornalistas se tratassem. Já ninguém imagina o mundo sem as redes sociais, mas o mais provável é terem que seguir algumas regras de transparência, de utilização e proteção de dados, de responsabilidade…

- qualquer investidor em Portugal pode deter ações do Facebook, certo? 

Sim. Desde a entrada em bolsa no dia 18 de maio de 2012 através de OPV (Oferta Pública de Venda). Qualquer pessoa pode comprar ações do Facebook  online, através de uma conta junto de um intermediário financeiro.