Os juros da dívida nacional a 10 anos - o prazo de referência - têm subido nas duas últimas semanas e hoje alcançaram o valor mais alto dos últimos três meses, desde o dia em que se conheceram os resultados do referendo britânico rumo ao Brexit.

Já alcançaram os 3,462%, o que compara com os  3,415% do fecho de quinta-feira, enquanto os as Obrigações do Tesouro a 10 anos de outros países europeus estão, genericamente, num movimento de descida.

Fonte: Reuters

Apesar de ser uma subida relevante - e de o ideal para um país ser que os juros estejam abaixo dos 3% - nada tem a ver com a altura em que Portugal pediu ajuda externa. Aí, sim, os juros passaram a barreira psicológica dos 7%, causando o pânico.

O facto é que Portugal tem sentido uma escalada dos juros desde que o BCE decidiu manter os juros, na semana passada, e esta semana o Estado realizou um leilão de dívida de longo prazo aquém das expectativas

Um dia depois, na quinta-feira, uma má notícia: o Conselho de Finanças Públicas mostrou ontem 'cartão vermelho' à política do Governo, avisando que sem novas medidas o caminho é o da derrapagem orçamental.

Um alerta que surgiu a um dia da eventual revisão do rating português por parte da Standard & Poors, que ocorrerá precisamente esta sexta-feira à tarde.

A par da Moody’s e da Fitch, a S&P ainda coloca Portugal no chamado "lixo". Apenas uma agência de rating dá nota positiva ao país, a DBRS, mas já ameaçou uma revisão em outubro. 

Esta sexta-feira está a decorrer uma cimeira dos líderes da União Europeia, mas não se esperam decisões, já que é uma reunião informal.

Seja como for, os mercados acusam nervosismo, principalmente na bolsas, pintadas de vermelho. A seguir a Milão, que cai 2%, o maior recuo é o de Lisboa (1,5%), seguida de Paris e Madrid (à volta de 1%) e Londres (0,2%). 

Em Bratislava, na chegada à cimeira, o primeiro-ministro, António Costa, a dizer que o processo da suspensão de fundos a Portugal, no âmbito das sanções por causa do incumprimento do défice em 2015, está "bem encaminhado" para que não venham a ser aplicadas.