O Estado português está a preparar uma operação de venda de dívida a 10 e 30 anos, noticia esta segunda-feira a Bloomberg, citando fontes que pediram para não serem identificadas, noticia a Lusa.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) mandatou sete bancos para liderar a colocação no mercado de Obrigações do Tesouro de Portugal, adianta a Bloomberg, acrescentando que ainda não existem valores indicativos da venda.

Os bancos mandatados são o BBVA, CaixaBI, Citi, Credit Agricole, Danske Bank, Morgan Stanley e Nomura.

O último leilão realizado pelo IGCP com dívida a 10 anos realizou-se a 12 de novembro passado, quando foram emitidos 1.200 milhões de euros, mais do que os 1.000 milhões previstos anteriormente. A taxa de juro situou-se nos 3,1766%, o valor mais baixo de sempre desde a crise de dívida soberana.

Há uma semana, a 5 de janeiro, O IGCP anunciou a emissão bruta de até 14 mil milhões de euros em dívida de médio a longo prazo em 2015, para cobrir os cerca de 11 mil milhões de euros das necessidades de financiamento do ano.

De acordo com uma nota sobre o programa de financiamento de Portugal durante este ano, o IGCP indicava que a estratégia de financiamento se iria centrar na «emissão de títulos de dívida pública nos mercados financeiros em euros com realização regular de leilões de OT (Obrigações do Tesouro)», com o objetivo de «promover a liquidez e um funcionamento eficiente dos mercados primário e secundário».

Em relação às OT (dívida de médio a longo prazo), o IGCP prevê que seja obtido um montante entre os 12 e os 14 mil milhões de euros através da «emissão bruta de OT, combinando sindicatos e leilões». Além disso, a estratégia de financiamento deste ano passa pela exploração de «oportunidades para realizar operações de troca e recompras de títulos» e pela «contribuição positiva de 2,5 mil milhões de euros de produtos de retalho».

Já no que se refere aos Bilhetes do Tesouro (BT), a instituição espera que o financiamento líquido resultante destes títulos de dívida pública tenha «um impacto nulo» em 2015, mantendo a realização mensal de emissões na terceira quarta-feira de cada mês e, «se a procura de investidores o justificar», também na primeira quarta-feira.

No primeiro trimestre de 2015, o ICGP espera conseguir colocar no mercado 3.750 milhões de euros em BT, estimando-se emissões mensais entre os 1.000 e os 1.250 milhões de euros.

Para janeiro está prevista a realização de dois leilões de BT (reabertura de uma linha a seis meses e lançamento de outra a 12 meses), num total conjunto de até 1.250 milhões de euros.

Em fevereiro antecipa-se a reabertura de uma linha a três meses e de outra a 11 meses (montante indicativo global entre os 1.000 e os 1.250 milhões de euros) e, para março, prevê-se a reabertura de uma emissão a seis meses e o lançamento de uma outra a 12 meses, num total de até 1.250 milhões de euros.

O IGCP reitera ainda que, nas operações de financiamento que vai realizar ao longo do ano, vai procurar evitar «a criação de excessivas concentrações temporais de amortizações, assim como a possibilidade de realização de operações de recompra de dívida» e admite «flexibilidade» para introduzir «os ajustamentos que se venham a revelar necessários face à evolução dos mercados e das necessidades de financiamento ao longo do ano».

O IGCP recorda que «o montante das necessidades de financiamento líquidas do Estado no ano de 2015 deverá situar-se em cerca de 11 mil milhões de euros».