Portugal colocou 1.785 milhões de euros (ME) de Bilhetes do Tesouro num leilão, mais que do que previa, a uma 'yield' média mais baixa na maturidade a 12 meses que na emissão anterior, imune ao nervosismo em torno da Grécia, que precisa de aprovar um duro pacote de austeridade em troca de um terceiro resgate.

O montante indicativo global era de 1.250-1.500 ME.

O leilão, promovido pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), nota a Reuters, fixou uma taxa média ponderada de 0,014% para a maturidade a seis meses e 0,088% a um ano.

Nas operações comparáveis anteriores, as taxas de juro tinham sido de, respetivamente, -0,002% e 0,159%.

O IGCP colocou 650 ME a seis meses e 1.135 ME a 12 meses.

A procura de BT no leilão a 6 meses excedeu a oferta em 2,05 vezes face a 4,6 vezes no leilão anterior e a colocação a 12 meses teve um rácio bid-to-cover de 2,07 vezes versus 3,1 vezes no anterior.

No mercado secundário, os investidores estão em 'suspense' para saber se o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, recolhe hoje o apoio necessário no parlamento para aprovar um doloroso pacote de austeridade, em troca de um terceiro pacote de resgate, estimado em até 86.000 ME e que evite a sua saída do euro.

Tsipras enfrenta resistência da ala esquerda do seu partido, mas deverá conseguir passar a legislação com o apoio dos partidos da oposição.

A yield soberana de referência em Portugal, as obrigações do tesouro a 10 anos, segue nos 2,73%, menos 5 pontos base que na sessão anterior.

Os juros estavam nos 3,7% há um ano atrás e chegaram a tocar nos 17% no pico da crise em 2012.

O prémio de risco soberano reduziu-se drasticamente face aos últimos anos, com a introdução do programa de Quantitative Easing do Banco Central Europeu, que consiste na compra de 60.000 ME de dívida soberana da zona euro por mês.