Portugal teve de pagar mais para se endividar nos prazos mais curtos, mas pagou menos nas maturidades mais longas, na colocação de 10.500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro desde o início deste ano.

O IGCP, a agência que gere a dívida pública do país, vai emitir na quarta-feira Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e a 12 meses, num montante global indicativo que oscila entre os 1.250 milhões e os 1.500 milhões de euros, naqueles que serão o 14.º e o 15.º leilões deste instrumento de dívida desde janeiro.

A última emissão de BT a seis meses foi realizada em junho, tendo sido emitidos 450 milhões a 1,041%, ao passo que a mais recente emissão de BT a 12 meses decorreu em maio, altura em que foram colocados 1.250 milhões de euros a 1,232%.

Do total dos 10.500 milhões de euros em BT que Portugal já emitiu este ano, mais de metade (5.105 milhões) foram títulos a 12 meses e a taxa de juro média dos leilões caiu dos 1,609% em janeiro para os 1,232% em maio.

A 18 meses foram realizados três leilões, rendendo no total 3.250 milhões de euros a uma taxa de juro média que também caiu nos últimos seis meses: em janeiro foram colocados 1.000 milhões de euros em BT a uma taxa média de 1,963% e em junho foram colocados 1.050 milhões de euros com um juro médio inferior, de 1,603%.

No mais curto prazo, Portugal emitiu 1.195 milhões de euros em BT a três meses e 950 milhões em títulos a seis meses, tendo subido os juros cobrados nos vários leilões.

A taxa média de juros cobrada nos BT a três meses passou dos 0,667% em janeiro para os 0,743% em abril, último mês em que o IGCP emitiu BT a três meses.

Já nos títulos a seis meses, foram realizados dois leilões: um em maio no montante de 500 milhões com um juro médio de 0,811% e outro em junho no valor de 450 milhões e com um juro médio de 1,041%.

Os últimos seis meses foram marcados por vários episódios que foram tendo impacto não só no desempenho orçamental de Portugal mas também na confiança dos investidores e na imagem do país nos mercados.

Ao chumbo do Tribunal Constitucional a quatro artigos do Orçamento do Estado para 2013, em abril, que deixou um buraco de mais de 1.300 milhões de euros, seguiu-se a apresentação do Retificativo, no final do mês seguinte, que foi aprovado na Assembleia da República já em junho.

Mais recentemente, no início deste mês, instalou-se uma crise política ainda sem resolução: o ministro das Finanças Vítor Gaspar demitiu-se e foi substituído pela sua secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, o que motivou a apresentação da renúncia de Paulo Portas do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, a qual não foi aceite pelo primeiro ministro.

Entretanto, o Presidente da República, Cavaco Silva, ouviu os partidos com assento parlamentar e os parceiros sociais e pediu aos principais partidos do arco da governação (PSD, PS e CDS) para chegarem a um acordo de «salvação nacional».

Os juros da dívida soberana de Portugal estavam hoje a descer a dois, cinco e 10 anos em relação a segunda-feira e aos máximos de sexta-feira, à espera de uma solução para a crise política.

Às 08:20, os juros da dívida a dois anos estavam a transacionar-se nos 5,623%, depois de terem fechado a 5,758% na véspera e a 5,775% na sexta-feira, um máximo desde novembro de 2012.

No prazo de cinco anos, os juros estavam abaixo dos 7%, nos 6,946%, abaixo dos 7,038 de segunda-feira e a 7,324% na sexta-feira, o máximo desde novembro de 2012.

Os juros a 10 anos também estavam a descer, a serem negociados a 7,199%, depois de terem fechado a 7,296% na segunda-feira e a 7,508% na sexta-feira, um máximo desde novembro de 2012.