A petrolífera espanhola Repsol inicia esta terça-feira a primeira de várias polémicas perfurações, denominadas «Sandia», no arquipélago das Canárias, e que continuam a ser fortemente contestadas pelas autoridades locais e por ambientalistas, noticia a Lusa.

Depois de meses de trabalhos preparatórios a primeira perfuração vai realizar-se a 54 quilómetros de Fuerteventura e a 62 quilómetros de Lanzarote.

Segundo a empresa, que garante respeitar todos os requisitos ambientais, a operação «Sandia» pretende chegar, com «uma única perfuração», a dois objetivos: o primeiro a uma profundidade de 1.920 metros e o segundo a 3.100 metros.

A profundidade total inclui 800 metros de água e 2.300 metros de solo marítimo.

Para a perfuração, a Repsol vai utilizar a tecnologia mais recente instalada no Rowan Renaissance, um navio de «posicionamento dinâmico de última geração» e cujo aluguer diário custa um milhão de euros.

O navio tem capacidade para realizar prospeções a profundidades quatro vezes superiores às que se vão realizar nas Canárias.

As prospeções nas Canárias avançam apesar de forte contestação dos ambientalistas e das autoridades locais, que querem mesmo consultar os cidadãos do arquipélago sobre o assunto, lembra a Lusa.

Na sexta-feira passada, com o Rowan Renaissance estava a chegar à zona, uma ativista da Greenpeace ficou ferida quando a embarcação em que viajava, e que tentava protestar contra as prospeções, foi abalroada por uma embarcação da Armada espanhola.

O Ministério da Defesa de Espanha referiu que a Marinha reagiu a uma alegada intenção dos ativistas de subir a bordo do navio de exploração de petróleo Rowan Renaissance e que a equipa da Armada estava no local para travar três barcos da Greenpeace.

No entanto, os ativistas asseguraram que a intenção era realizar um «protesto pacífico» contra o projeto petrolífero da Repsol.

Um vídeo do confronto divulgado pelo Greenpeace mostra um barco da Marinha espanhola a bater num dos barcos dos ativistas, que estavam muito perto do Renaissance Rowan.

Em março passado, o Governo espanhol autorizou a prospeção de petróleo a cerca de 70 quilómetros das ilhas de Lanzarote e de Fuerteventura, na fronteira marítima com Marrocos, decisão que tem sido motivo de protestos dos moradores e das autoridades das Canárias, que se opõem ao plano da Repsol, apoiado pelo executivo de Madrid.

No local, a petrolífera espanhol da Repsol pretende prosseguir com a prospeção de petróleo e gás, mas os moradores temem que esta ação prejudique a flora e fauna locais, como os golfinhos, e perturbe a indústria do turismo, que é vital para a economia da região.

A Repsol prometeu tomar medidas para proteger o meio ambiente e garantiu que o projeto vai criar postos de trabalho nas ilhas, onde a taxa de desemprego é superior a 30 por cento.

O Governo das Canárias, o parlamento e os cabildos (entidade administrativa local) de Lanzarote e Furteventura opõem-se a todo tipo de prospeções petrolíferas na zona, porque consideram que põem em risco o património natural e a indústria turística do arquipélago.

No início de junho, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apresentou uma queixa na Comissão Europeia por incumprimento das normas comunitárias quanto à autorização das prospeções da petrolífera Repsol nas Canárias.