O chumbo da proposta de alteração de estatutos para acabar com a limitação do voto dos acionistas do BPI a 20% do capital – uma das condições impostas pelo CaixaBank na oferta pública de aquisição em curso sobre o banco – provocou uma forte reação na bolsa de Lisboa. As ações do BPI afundaram 6,364%, para 1,2360€, com os investidores a aguardarem agora a tomada de posição do CaixaBank que, para manter a oferta, terá que rever as condições.

As ações do Millennium BCP acompanharam a queda do BPI, caindo 2,836% para menos de oito cêntimos por ação (0,0788€). Os analistas admitem que se o CaixaBank deixar cair a OPA, fica em aberto a proposta da Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, de negociar uma fusão entre o BPI e o Millennium BCP.

Num dia ainda influenciado pela crise grega, o destaque, pela positiva, foi para a Mota-Engil, que ganhou 3,667%, para os dois euros por ação, depois da empresa ter suspendido a emissão de dívida de 95 milhões de euros, com maturidade em 2020, por causa de uma retificação técnica.

A Pharol fechou também o dia em terreno positivo, com uma valorização de 2,71% para 0,379 euros por ação.

No geral, o índice PSI 20 acompanhou a tendência negativa europeia, por causa da crise grega e da falta de acordo entre a Grécia e os credores internacionais. Amanhã, o Eurogrupo volta a reunir, mas o presidente do grupo dos países da moeda única, Jeroen Dijsselbloem, já admitiu que a probabilidade de um acordo é pequena. A bolsa de Atenas foi a que mais caíu na Europa, 3,15%, Paris perdeu 1,02%, Lisboa 0,82% e Frankfurt 0,38%.

O dia foi também negativo para os juros da dívida pública helénica. Os juros das obrigações do tesouro a 10 anos da Grécia subiram para 13,029%, numa tendência de subida que não foi acompanhada pelos restantes países periféricos.