A KPMG, que foi encarregada de auditar os números ao primeiro semestre do Banco Espírito Santo, recusa-se a validar as contas que somaram prejuízos de 3,6 mil milhões de euros.

Num relatório enviado à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários, a auditora apresenta como bases para a escusa o facto de não conhecer os critérios e bases de avaliação dos ativos e passivos para efeitos de transferência para o Novo Banco.

A auditoria diz não ser possível, em relação ao BES, ter informação adequada sobre a situação financeira e ainda as operações, cujo impacto ainda não é conhecido.

Também o facto de não ser conhecido o impacto da situação do BES Angola no Grupo Espírito Santo e não ser possível quantificar os efeitos das medidas extraordinárias do BESA, nomeadamente a revogação da garantia soberana, diz a KPMG, impacta na decisão da auditora.

«Dada a relevância e o significado dos acontecimentos descritos não estamos em condições de expressar, e não expressamos, um parecer sobre as demonstrações financeiras intercalares referentes a 30 de junho de 2104», pode ler-se no relatório assinado por Sílvia Gomes.