Os juros da dívida portuguesa estavam esta terça-feira a cair em todos os prazos para mínimos de sempre, alinhados com os da Irlanda, Itália e Espanha, depois do Banco Central Europeu ter arrancado com o programa de estímulos.

De acordo com a Lusa, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a cair para 1,701%, um mínimo de sempre, contra 1,758% na segunda-feira.

No mesmo sentido, os juros a dois anos também estavam a recuar para 0,129%, um mínimo histórico, contra 0,141% na segunda-feira.

A cinco anos, os juros estavam a descer para 0,850%, um mínimo de sempre, contra 0,891% na segunda-feira.

Na segunda-feira, o Banco Central Europeu (BCE) arrancou com um programa sem precedentes de compra de dívidas soberanas, que vai permitir injetar centenas de milhares de milhões de euros na economia da zona euro na esperança de a redinamizar.

Este plano de apoio à união monetária cifrar-se-á em 60 mil milhões de euros por mês, até, pelo menos, setembro de 2016.

O objetivo desta operação denominada Quantitative Easing (QE) é criar um círculo virtuoso para a economia: sob o efeito de uma forte procura, as taxas de juro das obrigações vão descer, empurrando os bancos a aplicar o dinheiro noutros sítios, designadamente a emprestar às empresas e aos consumidores.

Para os mercados, o QE marca uma mudança histórica da política monetária do BCE.

Os bancos centrais nacionais - Bundesbank, Banco de Portugal e outros - serão os principais executantes do QE, já que está previsto que façam 92% das compras.

Os efeitos do programa fazem-se sentir por antecipação há várias semanas nas taxas de juro das dívidas soberanas.

Estas taxas de juro, que evoluem em sentido inverso ao da procura, têm renovado mínimos diariamente, e algumas tornaram-se mesmo negativas nos prazos mais curtos, ou seja, os investidores estão prontos a pagar para deter estes títulos considerados muito seguros.

A 17 de maio de 2014, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento solicitado por Portugal à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam a descer a cinco e dez anos, bem como os de Itália e de Espanha em todos os prazos.

Em relação aos juros da Grécia, estes eram a exceção, já que estavam a cair a cinco anos, mas a subir a dez anos, para valores em torno dos 13,2% e de 10%, respetivamente.