A taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos aliviou para novos mínimos recorde, com a «bazuca» do Banco Central Europeu a contagiar também o mercado primário, no qual a Irlanda, Espanha e Itália pagaram as taxas mais baixas de sempre para emitir dívida a longo prazo.

«Nesta altura começa-se a questionar até quando é que este efeito positivo do BCE poderá ir, mas vai continuar, pelo menos, até surgir algum fator negativo que cause uma inflexão,» disse Ricardo Marques, trader de dívida na IMF-Informação Mercados Financeiros.

«O BCE não pode comprar dívida com yields abaixo da taxa de depósito e já há alguns países, como a Alemanha, onde as taxas a menos de cinco anos já estão abaixo desse nível. Portanto, o BCE tem de comprar maturidades mais longas,» adiantou.

O programa de Quantitative Easing  do BCE, que arrancou na segunda-feira, consiste na compra de 60.000 ME por mês de dívida soberana entre Março de 2015 e Setembro de 2016, ou até a inflação chegar a níveis próximos mas inferiores a 2%.

O Banco de Portugal iniciou a compra de Obrigações do Tesouro no dia 9 de Março, incidindo em maturidades entre dois e 30 anos, no quadro do programa de QE, segundo fonte oficial.

«O QE está a funcionar, não há duvida se vai funcionar,» disse Benoit Coeure, membro do Conselho de Governadores do BCE, em Paris.

No mercado secundário, as yields das OT's portuguesas a 10 anos seguem a negociar nos 1,546%, tendo tocado um mínimo nos 1,523% durante a sessão.

No final de 2013, esta taxa era muito superior, ao situar-se nos 6,1%, tendo atingido mais de 17% no pico da crise soberana no início de 2012.

A taxa de juro das obrigações espanholas a 10 anos caiu pela primeira vez para baixo do patamar de 1%, tocando num novo mínimo de 0,993, após um leilão em que o país vendeu 4.500 ME de obrigações, em três maturidades, com taxas em novos mínimos.