Os juros da dívida portuguesa estavam esta sexta-feira a cair a dois anos para mínimos e a subir a cinco e dez anos, em relação a quinta-feira.

De acordo com a Lusa, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a subir para 1,583%, contra 1,577% na quinta-feira, um mínimo de sempre.

Os juros a cinco anos também estavam a subir, para 0,831%, contra 0,823% na quinta-feira, um mínimo de sempre.

Em sentido contrário, os juros a dois anos estavam a recuar para 0,090%, um mínimo histórico, contra 0,096% na quinta-feira.

Na segunda-feira, o Banco Central Europeu (BCE) arrancou com um programa sem precedentes de compra de dívidas soberanas e privadas, que vai permitir injetar centenas de milhares de milhões de euros na economia da zona euro na esperança de a redinamizar.

Este plano de apoio à união monetária cifrar-se-á em 60 mil milhões de euros por mês, até, pelo menos, setembro de 2016.

O objetivo desta operação denominada Quantitative Easing (QE) é criar um círculo virtuoso para a economia: sob o efeito de uma forte procura, as taxas de juro das obrigações deverão descer, forçando os bancos a aplicar o dinheiro noutros sítios, designadamente a conceder crédito às empresas e aos consumidores.

Para os mercados, o QE marca uma mudança histórica da política monetária do BCE.

Os bancos centrais nacionais - Bundesbank, Banco de Portugal e outros - serão os principais executantes do QE, já que está previsto que façam 92% das compras.

Os efeitos do programa fazem-se sentir por antecipação há várias semanas nas taxas de juro das dívidas soberanas. Estas taxas de juro, que evoluem em sentido inverso ao da procura, têm renovado mínimos diariamente e algumas tornaram-se mesmo negativas nos prazos mais curtos, ou seja, os investidores estão prontos a pagar para deter estes títulos considerados muito seguros.

A 17 de maio de 2014, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento solicitado por Portugal à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam a subir a cinco e dez anos, bem como os de Espanha em todos os prazos. Os juros de Itália estavam a descer a dois anos e a subir nos prazos mais longos.

Em relação aos juros da Grécia, estes estavam a subir a cinco anos e a descer a dez, para valores em torno dos 14,4% e de 10,4%, respetivamente.