[Notícia atualizada com novos valores dos juros]

As dúvidas sobre o Orçamento do Estado estão a penalizar Portugal. Os juros das Obrigações portuguesas a 10 anos seguiam a negociar em máximos de março de 2014, nos 4,3%. Estavam a subir 79 pontos base.

“As yields da dívida soberana portuguesa estão a subir em todas as maturidades. Os valores agora observados estão em níveis do Verão de 2014. A perceção do risco dos mercados financeiros relativos à capacidade de Portugal cumprir as suas obrigações, aumenta numa altura em que internamente se inicia o debate parlamentar sobre o orçamento para 2016. Os receios de que novos avisos vindos das agências de rating internacionais levando, no limite, ao downgrade da DBRS, começam agora a ser descontados no preço das obrigações”, segundo Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal.

Esta é uma tendência seguida hoje por Espanha, Itália e Irlanda.

Os ministros das Finanças da zona euro vão discutir hoje, em Bruxelas, o plano orçamental português para 2016, à luz da opinião da Comissão Europeia, que na semana passada aprovou o documento após intensas negociações com o Governo.

Um alto responsável do Eurogrupo indicou que, tal como acontece sempre que a Comissão Europeia emite um parecer sobre um projeto de plano orçamental, o fórum de ministros das Finanças da zona euro vai discutir o mesmo, sendo provável que adote uma “curta declaração” na sequência do debate sobre o projeto de orçamento de Portugal para 2016, que contará com a participação do ministro Mário Centeno, que na quarta-feira apresentou o OE2016 na Assembleia da República.

O mesmo responsável lembrou que a opinião da Comissão Europeia aponta para um risco de incumprimento das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, aspeto que será naturalmente tido em conta pelos ministros das Finanças da zona euro.

Recorde-se que, na última sexta-feira, o executivo comunitário deu “luz verde” ao plano orçamental de Portugal para 2016, mas apenas depois de uma semana de intensas negociações e de o Governo ter apresentado medidas adicionais, cujo impacto global estimado variará entre os 970 milhões de euros (expetativas de Bruxelas) e os 1.125 milhões de euros (projeções do Governo), uma diferença de 155 milhões de euros que não impediu a Comissão de dar o seu aval ao projeto orçamental, embora apontando para os riscos de incumprimento, algo que também deverá constar da declaração de hoje do Eurogrupo.