Os juros da dívida portuguesa estavam esta quinta-feira a descer em todos os prazos, a dois anos para mínimos de sempre, depois de Portugal ter colocado 1.500 milhões de euros em Bilhetes de Tesouro a taxas significativamente menores.

Os juros a 10 anos estavam a 3,466%, depois de terem terminado a 3,525% na quarta-feira e de terem descido até aos 3,323% a 11 de junho, um mínimo desde outubro de 2005.

No prazo a cinco anos, os juros estavam a descer para 2,244%, contra 2,324% no encerramento de quarta-feira e o mínimo de sempre de 2,102% a 09 de junho.

A dois anos, os juros da dívida também estavam a descer para 0,825%, um mínimo histórico, depois de terem fechado a 0,890% na quarta-feira.

Portugal colocou na quarta-feira 1.500 milhões de euros em Bilhetes de Tesouro (BT) a três e 12 meses, um montante acima do indicativo, a taxas de juro significativamente abaixo das pagas nos leilões anteriores comparáveis de maio.

O IGCP, agência que gere a dívida portuguesa, colocou 1.000 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 12 meses à taxa de juro média de 0,364%, abaixo da de 0,617% paga a 21 de maio, e 500 milhões de euros em BT à taxa de juro média de 0,18%, também abaixo da, de 0,432%, paga a 21 de maio.

A procura de BT a 12 meses foi de 1.320 milhões de euros, 1,32 vezes superior ao montante colocado, e de BT a três meses foi de 819 milhões de euros, 1,64 vezes superior ao montante colocado.

A agência que gere a dívida portuguesa tinha anunciado um montante indicativo para as duas linhas de BT entre 1.000 milhões de euros e 1.250 milhões de euros.

Além de novas medidas de austeridade para compensar as recentemente chumbadas pelo Tribunal Constitucional (TC), o Governo anunciou a 12 de junho que prescindiu do último cheque do empréstimo da troika.

A 12 de junho, o Governo aprovou uma proposta de lei para reintroduzir temporariamente os cortes entre 3,5% e 10% aplicados aos salários do setor público superiores a 1.500 euros introduzidos em 2011 e que vigoraram até 2013.

A 17 de maio, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar, depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado a «saída limpa» a 04 de maio.

O programa de ajustamento solicitado à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

A 05 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) cortou a taxa de juro diretora em 0,10 pontos percentuais para o novo mínimo histórico de 0,15% e anunciou a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos), em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam hoje a descer em todos os prazos.

Os juros de Itália estavam a descer a dois e cinco anos e a subir a dez anos, enquanto os de Espanha estavam a descer em todos os prazos.

Os juros da dívida da Grécia a 10 anos, o único prazo disponível daquele país, também estavam a descer.