Os juros da dívida soberana de Portugal continuam esta terça-feira a registar a tendência de descida verificada nas últimas sessões depois de terem fechado na quarta-feira em máximos desde novembro de 2012 devido à crise política no país.

Os juros da dívida a 10 anos estão a transacionar-se já abaixo dos 7% (nos 6,791%), depois de terem fechado a 6,926% na segunda-feira e a 7,465% na quarta-feira, um máximo desde novembro de 2012.

A dois anos, os juros também estão a descer para 5,126% depois de terem fechado a 5,182% na segunda-feira e a 5,302% na quinta-feira, um máximo desde novembro de 2012.

No prazo de cinco anos, os juros estavam nos 6,156%, abaixo dos 6,356% do encerramento de segunda-feira e dos 6,671% de quarta-feira, um máximo desde novembro de 2012.

Os dois partidos da coligação governamental, PSD e CDS-PP, apresentaram sábado uma solução para a crise que passa por uma reorganização do executivo.

Esta será analisada pelo Presidente da República, que na quarta-feira acabará de ouvir os parceiros sociais e de ter ouvido hoje e segunda-feira os partidos com assento parlamentar.

Além da eventual solução para a crise em Lisboa, analistas afirmam que as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que assegurou na quinta-feira a manutenção de baixas taxas de juro na zona euro, foram determinantes para a descida dos juros da dívida.

O presidente do BCE, num anúncio histórico, antecipou que o BCE vai manter durante um ¿longo período¿ as taxas de juro baixas na zona euro.

Os juros da dívida subiram acentuadamente na última quarta-feira devido à crise política desencadeada pela apresentação na terça-feira da demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP, Paulo Portas.

A 2 de julho, os juros da dívida soberana portuguesa já tinham subido durante a sessão e fechado em alta depois do ministro de Estado e das Finanças, Vitor Gaspar, ter apresentado a demissão a 1 de julho, e ser substituído no cargo pela até agora secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, que entretanto tomou posse.

Os juros das dívidas da Grécia, de Itália e de Espanha também estavam a descer em todos os prazos.