As yields das obrigações portuguesas e das pares do Sul da Europa agravam, contagiadas pelo disparo das helénicas, após um fim-de-semana dramático na Grécia, com a convocação de um referendo, a retirada da proposta dos credores, a imposição de controlos de capitais e o encerramento dos bancos e da Bolsa.

Também os mercados acionistas seguem muito pressionados, com quedas que chegam até aos 5% de Lisboa.

A taxa das obrigações gregas a 10 anos salta 374 pontos base (pb), ou seja quase 4 pontos percentuais, enquanto a da dívida a dois anos dispara 1.440 pb, para 35,5%.

A yield da dívida portuguesa a 10 anos agrava 25 pb para 3%, a equivalente espanhola sobe 18 pb para 2,3%, e a italiana aumenta 18 pb para 2,34%.

A taxa do Bund alemão a 10 anos, principal referência europeia e visto como 'porto-seguro' em alturas de risco, recua 14 pb para 0,78 pct.

"A crise da dívida grega tornou-se agora numa 'crise' real," disse Kit Juckes, estrategista de mercados na Societé Generale em Londres, citado pela Reuters.


O risco de Atenas sair do euro é cada vez maior. Após o colapso das negociações com os credores, a Grécia dificilmente conseguirá reembolsar 1.600 milhões de euros ao FMI amanhã, terça feira, entrando em default com esta instituição.

Alexis Tsipras, Primeiro Ministro grego, na sexta-feira rejeitou as propostas dos credores, que incluíam cortes na pensões e aumentos de impostos, e surpreendeu ao convocar um referendo a 5 de Julho, para perguntar aos gregos se aceitam ou não as propostas.

O Eurogrupo reagiu com força, rejeitando o pedido grego de prolongar o resgate ao país, que acaba amanhã, até ao referendo, e retirando da mesa as propostas de reformas.

O Banco Central Europeu decidiu ontem manter a Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) para Atenas ao nível actual, com uma nova decisão sobre o assunto agendada para uma reunião dos Governadores na quarta-feira.

Com os gregos a formarem filas para levantar dinheiro dos bancos, Tsipras anunciou o controlo de capitais, limitando levantamentos nas caixas automáticas a 60 euros diários a partir de amanhã, impondo também o fecho dos bancos do país e a Bolsa de Atenas até dia 6 de Julho.

Esta manhã, a Comissão Europeia esclareceu que não apresentará novas propostas aos gregos, enquanto a Chanceler alemã Angela Merkel disse que compete à Grécia encontrar uma saída para a crise.

Com essa saída longe de estar garantida, os analistas, operadores e decisores estão focados na escala e impacto do contágio da crise grega para outros mercados.

"Os mercados globais e o decisores de política estão muito mais preparados para um 'default' grego e/ou uma saída do euro que há um par de anos," referiu Kit Juckes, do Societe Generale.


O porta-voz do Ministério das Finanças alemão disse que há sinais nos mercado de dívida que o contágio está a ser limitado, vincando que a zona euro permanece forte, sendo a Grécia um "caso especial".