A Grécia tenciona refinanciar 4,5 mil milhões de euros de obrigações cujo prazo termina em março de 2014 para atenuar elevados reembolsos financeiros previstos para 2014, avançou o ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras.

«O prazo das obrigações emitidas pela Grécia junto da banca no valor de 4,5 mil milhões de euros termina em março de 2014 e nós estamos a pensar renová-las», declarou Stournaras numa entrevista divulgada esta segunda-feira pelo jornal financeiro grego «Naftémporiki».

Segundo o ministro, esta operação «cobriria uma grande parte dos reembolsos de empréstimos do Estado, que deverão atingir 10,9 mil milhões de euros até 2015, dos quais 4,4 mil milhões no próximo ano».

Estes elevados reembolsos financeiros são uma preocupação para Atenas que atualmente está a negociar com a troika o avanço das reformas na Grécia com vista ao pagamento dos empréstimos.

Por outro lado, Stournaras indicou que o BCE poderia prolongar a maturidade das obrigações gregas que detém em carteira, no âmbito do acordo da cimeira europeia de 27 de novembro de 2012.

Segundo este acordo, uma ajuda adicional poderia ser concedida à Grécia caso o país assumisse as suas obrigações de saneamento da economia, recordou o ministro.

Várias soluções foram estudadas, segundo este acordo, para reduzir a dívida pública, designadamente a redução das taxas de juro, o refinanciamento de determinadas obrigações cuja maturidade termina, o prolongamento de um «período de graça» que já tinha sido concedido ou uma combinação destas soluções.

«Até agora cumprimos as nossas obrigações, é necessário que os nossos parceiros também cumpram agora as suas», sublinhou Stournaras, adiantando que «ministros de grandes países da zona euro são incentivados a encontrar uma solução» para este problema.

Segundo o projeto de Orçamento de Estado para 2014, Atenas prevê uma ligeira diminuição da dívida pública em 2014, para 319,4 mil milhões de euros, ou seja 174,5% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 321 mil milhões de euros em 2013.

Desde o início da crise da dívida em 2010, a Grécia beneficiou de mais de 250 mil milhões de euros graças a dois programas de empréstimos sucessivos acompanhados de medidas de austeridade drásticas.

No início de setembro, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, tinha indicado que Atenas precisaria provavelmente de «uma ajuda adicional» porque «os problemas do país não seriam resolvidos até 2014».