A agência de notação financeira Fitch reviu de negativa para estável a perspetiva das obrigações da CGD sobre o setor público, mas continua a admitir o corte do rating do banco público, para 'BB-'.

Num comunicado hoje divulgado, a agência informa que reviu de negativa para estável a perspetiva das obrigações sobre o setor público (public sector covered bond, em inglês) da CGD, que continuam com um rating de 'BBB-', último grau dentro da escala de investimento.

Segundo a Fitch, esta alteração acontece depois da revisão, no final da semana passada, da perspetiva (outlook) da nota de Portugal, de «negativa» para «positiva», mantendo então o rating de crédito do país em 'BB+'.

Segundo a empresa, apesar de a perspetiva soberana de Portugal ter sido alterada para positiva, a perspetiva destes títulos da CGD só foi modificada para estável uma vez que o «atual nível de sobrecolateralização» não é suficiente para fazer face a eventuais dificuldades decorrentes do rating soberano de Portugal.

A empresa diz ainda que, numa potencial revisão em alta da nota da dívida de Portugal, provavelmente a notação destes títulos vai permanecer numa nota inalterada acima da do próprio banco.

A Fitch diz ainda que a perspetiva estável também reflete que «a potencial revisão em baixa» do rating de longo prazo da CGD para a nota do rating de viabilidade, de 'BB-', seria compensada pelo aumento da nota atribuída ao programa de covered bons.

A agência volta a admitir, assim, uma queda do rating do banco público devido à eventual redução do apoio do Estado à instituição.

O rating da CGD está atualmente em 'BB+' com perspetiva negativa e poderá passar para 'BB-', ambos fora da escala de investimento.

As obrigações da CGD sobre o setor público, atualmente no montante de 800 milhões de euros, estão colaterizadas a empréstimos ao setor público.

No fim de dezembro, estes empréstimos eram de 1,22 mil milhões de euros e consistiam em 1940 empréstimos a 293 municípios, sendo a maior fatia referente a empréstimos à Câmara de Lisboa (5,7%).