A associação de defesa do consumidor Deco divulgou esta terça-feira um estudo no qual alerta para a tendência de perdas entre 15 e 25% nos investimentos em ouro e recomenda que haja mais transparência nos preços.

Publicado hoje na revista da associação Proteste Investe, o estudo reconhece que «a tradição de investir em ouro em situações de crise» é longa, o que se acentuou mais em Portugal porque, até outubro de 2012, este investimento permitia retornos anuais de 14%.

No entanto, alerta a Deco, os investidores «registaram pesadas perdas neste último ano», já que o preço por grama caiu de 44,35 euros para 31,80 euros.

Preço que segue informação do Banco de Portugal e que representa um prejuízo de 28,3%.

Para quem investe em ouro, adianta a associação no mesmo estudo, as barras são melhor opção do que medalhas e joias, já que naquele caso «não há qualquer avaliação subjetiva».

Ainda assim, e «embora exista uma cotação mundial de referência, os preços a pagar e a receber pelos pequenos investidores podem ser bastante díspares».

Para o provar, a Deco realizou uma operação entre agosto e outubro passados, comprando e vendendo ouro físico em agências das cinco maiores instituições financeiras: CGD, Millenium BCP, BES, Santander Totta, BPI e também numa loja virtual, a Gold Direct.

«Concluímos que é caro investir em ouro físico. Em média, pagámos mais 15,2% do que os preços de referência e vendemos por menos 1,6%», avança a associação.

«Se tivéssemos vendido todo o ouro nos franchisings, a perda na venda teria sido, em média, de 25,8%», acrescenta, indicando ter usado como referência os preços informativos do Banco de Portugal, que se baseia no preço fixado diariamente em Londres.

Face à situação, a associação exige «mais transparência nos preços», que chegam a variar mais de 40%.

«Embora o número de lojas de compra de ouro tenha disparado nos últimos 3 anos, a urgência na obtenção do dinheiro por muitos consumidores pode levá-los a aceitar o primeiro montante proposto», alerta a Proteste Investe.

Durante a operação, a publicação concluiu que, «no mesmo dia, o mesmo consumidor recebeu uma cotação de 19,4 euros por grama num sítio e uma cotação de 27,34 euros noutro estabelecimento», o que representa uma diferença de 42,9%. «E ambas estavam longe da cotação indicativa do banco de Portugal para esse dia: 31,71 euros», refere.

Para fomentar a transparência, a associação defende que todas as entidades que comercializam ouro, incluindo os bancos, «afixem obrigatória e diariamente os preços de compra e de venda de ouro, bem como a cotação de referência do Banco de Portugal».

Além disso, reclama, a atribuição de matrículas e de licenças às lojas de compra de ouro deve ser subordinada à existência «de um técnico habilitado ou credenciado responsável pelas avaliações».