O mercado de capitais de Portugal está num momento crítico e precisa de incentivos, nomeadamente fiscais, pois a sua credibilidade foi "devastada" nos últimos anos, segundo o Presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares.

"Portugal precisa criticamente de um mercado de capitais mais desenvolvido e que se constitua como complemento efectivo do financiamento bancário", afirmou Carlos Tavares, numa conferência organizada pela Confederação da Indústria de Portugal, citado pela Reuters.

O Presidente da CMVM lamentou a limitada capitalização bolsista do mercado acionista em Portugal que, no final de 2014, se situava em torno de 28% do Produto Interno Bruto.

"É um dos valores mais baixos que tenho memória, tendo caído 22,5 pct nos últimos cinco anos", disse.

Sublinhou que o peso das emissões de ações e obrigações no financiamento das empresas portuguesas não-financeiras, entre 2010 e 2013, não chegou a 1% do total das necessidades.

Sinalizou, como preocupante, a forte redução do número de cotadas, vincando "temos 50 empresas cotadas, cerca de metade das existentes em 1992".

Noventa por cento das transações de ações estão concentradas em dez empresas e dez empresas têm menos de 10% de free float no mercado, referiu. "Desde 2008, só uma oferta inicial teve lugar no PSI20, a oferta dos CTT", vincou.

Sublinhou que o mercado português está também a recuperar de penalizadores danos reputacionais.

"Os casos de mercado nunca são bons. Os casos BCP, PT, o caso BES. Estes dois últimos com efeitos devastadores na credibilidade do mercado".


Carlos Tavares afirmou que a falta de incentivos à utilização do mercado de capitais é crónica.

"Queremos continuar assim ou queremos mudar de vida? Há 10 anos estava convencido que era possível mudar e melhorar este panorama".

"Fiz muitas propostas de eliminação de bloqueios: à cabeça, a eliminação da penalização fiscal dos capitais próprios em competição com o endividamento", frisou o Presidente da CMVM.

"No mínimo, dar aos capitais próprios os mesmos benefícios que à divida".