O Citi desceu o preço alvo que atribui ao BPI  em 17%, para 0,95 euros, incorporando uma subida do risco, alertando que a operação de Angola poderá surpreender pela negativa e que paira incerteza sobre a direcção que o banco vai tomar.

Os títulos do BPI caem 2,4% para 0,82 euros.

"Enquanto Portugal oferece potencial de 'upside', Angola poderá surpreender pela negativa", afirmou o Citi, numa nota de análise.

"Além disso, a recente proposta do CaixaBank e a reacção de alguns dos outros accionistas do BPI introduziu incerteza em torno da direcção futura do banco".

Em Junho, o espanhol Caixabank, maior accionista do BPI, com 44,1% do capital, desistiu de uma oferta sobre o banco, após os acionistas terem chumbado uma proposta para acabar com o limite de 20% para o exercício dos direitos de voto, que era uma pré-condição do negócio.

Aquela Oferta Pública de Aquisição, lançada em fevereiro, contou, desde a primeira hora, com a oposição da empresária angolana Isabel dos Santos, que é a segunda maior accionista com 18,6 pct do BPI e que propôs uma fusão do BPI com o BCP.

"O maior risco para o nosso preço alvo é a relação 'não estabilizada' entre os dois maiores accionistas", vincou o Citi.

O Caixa Bank, que controla o BPI, admite estudar a compra do Novo Banco, se um novo processo de venda for lançado até ao final do ano, com mais segurança sobre as necessidades de capital da instituição, revelou o Diário Económico.

O Citi sublinhou os riscos potenciais associados à correcção no mercado de matérias-primas, uma subida do prémio de risco soberano de Portugal e Angola.

"O banco poderá ter de diminuir a sua grande exposição a Angola", referiu o Citi.

Em Agosto, o BPI disse que contratou dois bancos de investimento internacionais para estudar opções para reduzir a exposição do grupo ao mercado angolano, exigida pelo Banco Central Europeu, mas negou que estivesse vendedor da subsidiária Banco Fomento Angola (BFA), onde detém 50,1%.