As quedas das energéticas e da Jerónimo Martins levaram o índice de referência PSI20 a afundar 3,13%, face a uma Europa em mínimos de duas semanas arrastada pelo aumento do risco político na Grécia e às descidas do barril do petróleo e do euro, nota a Reuters.

Petróleo abaixo dos 55 dólares pela primeira vez desde 2009

As ações da Galp Energia recuaram 5,14%, acompanhando as quedas fortes das petrolíferas europeias no dia em que o preço do barril de Brent voltou a fixar novos mínimos de cinco anos e meio nos 52,66 dólares.

O Brent, cotado em Londres, cai 5,8% para 53,14 dólares e o de Crude, cotado em Nova Iorque, desce 4,42% para 50,39 dólares.

A queda do preço da matéria-prima continua a pressionar as empresas portuguesas expostas a Angola, levando as ações da Mota-Engil a afundarem 6,95% e as do BPI a caírem 6,4%, liderando as descidas percentuais do índice.

Pressão adicional da Jerónimo Martins a cair 4,43% e da EDP-Energias de Portugal perder 3,22%.

O Millennium bcp desceu 1,42%.

A escapar às quedas generalizadas estiveram apenas dois títulos: o Banif e a Portugal Telecom, com subidas de 1,67% e 0,82%, respetivamente.

A brasileira Oi, onde a PT tem uma participação de 25,6%, anunciou esta manhã um guidance entre 7.000 e 7.400 milhões de reais de EBITDA nas operações no Brasil em 2015.

Grécia arrasta Europa

As principais bolsas europeias encerraram em mínimos de duas semanas, arrastadas pelo tombo de 5,6% do índice grego, com os investidores preocupados quanto ao futuro da Grécia na zona euro.

O sector europeu de oil & gas foi o mais castigado, com um tombo de 5% dada a queda do preço do petróleo, seguido do sector financeiro, a recuar 3,2%, pressionado pelas quedas da Banca grega.

«O mais lógico a fazer nesta altura é evitar a Grécia. Muitos investidores estão a sair dos ativos gregos pensando que depois das eleições será provavelmente muito tarde. As ações da banca estão a suportar o peso do sell-off», disse Ronny Claeys, estrategista sénior na KBC Asset Management, citado pela Reuters.

Acrescentou: «há um risco crescente de que as ações gregas venham a cair ainda mais».

A Grécia vai a eleições legislativas no próximo dia 25 de Janeiro, um sufrágio que poderá levar a um governo encabeçado pelo partido de esquerda Syriza, que já fez saber pretende acabar com as medidas de austeridade implementadas pela troika.

Perante a perspetiva da Grécia não manter os compromissos assumidos com a Europa, o Governo alemão endureceu a sua posição, referindo que a zona euro consegue sobreviver à saída do país.

A taxa de juro das Obrigações do Tesouro gregas a 10 anos subiram 35 pontos base para 9,6%. A yield da congénere portuguesa avançava 7 pontos para 2,53%.