A bolsa de Lisboa fechou esta segunda-feira em forte alta, a maior da Europa, e atingindo mesmo o valor mais alto desde junho, em reação à decisão do Presidente da República, de manter o atual Governo de coligação em funções, em vez de optar por convocar eleições antecipadas.

O PSI20 subiu 2,3% para 5.651, 40 pontos, impulsionado sobretudo pela banca, que esteve em forte recuperação, beneficiando da queda dos juros da dívida pública.

O maior ganho do dia coube ao BES, que subiu 10,48% para quase 69 cêntimos por ação. O BCP avançou 6,67% para 9,6 cêntimos, e o BPI 4,51% para 95 cêntimos. O banco liderado por Fernando Ulrich, que apresenta resultados na próxima quarta-feira, deverá ter registado uma queda dos lucros para quase metade no primeiro semestre deste ano, segundo as previsões dos analistas ouvidos pela Reuters.

Destaque merece também o Banif, que contou ainda com a ajuda das boas notícias relativas ao aumento de capital de 100 milhões de euros, que foi subscrito na totalidade, embora esteja ainda dependente da realização da oferta pública de subscrição de obrigações. As ações do banco avançaram 8,33% para 5,2 cêntimos.

Além da banca, outras empresas registaram ganhos dignos de nota, como a Sonae, que subiu 4,74% para 80 cêntimos, e as comunicações, onde a recuperação da praça se juntou ao animo causado pelas notícias de consolidação do setor na Europa. O «Financial Times» escreve que a Telefónica deverá oferecer 6 mil milhões de euros pela unidade alemã da KPN.

A PT ganhou 2,8% para 2,83 euros, com a Zon a subir também 3,43% para 4,16 euros e a Sonaecom 1,83% para 1,78 euros.

A grande exceção aos ganhos da praça foi o grupo EDP, depois de o «Expresso» noticiar que o Governo prepara mais cortes nas rendas do sector energético. A EDP caiu 0,6% para 2,49 euros e a EDP Renováveis 0,08% para 3,72 euros.

No resto da Europa, os principais índices andaram perto do máximo de sete semanas, animadas não só pelas novidades em Portugal, mas também pelos resultados acima do esperado apresentados por algumas grandes companhias europeias, como o banco suíço UBS e a Philips.

No que toca ao mercado secundário de dívida pública, os juros estiveram em queda nos vários prazos. Por exemplo, nas obrigações a 10 anos, a taxa ficou nos 6,385%, depois de ter iniciado a sessão nos 6,759%. Durante a sessão, a taxa chegou a tocar um mínimo de 6,295%. Os juros a 10 anos estão agora em mínimos desde 20 de junho, ou seja, voltaram a níveis anteriores à crise política, antes mesmo de Vítor Gaspar pedir a sua demissão.

No prazo a 5 anos, a taxa fechou nos 5,939%, face aos 6,317% da abertura. O mínimo do dia ficou nos 5,808%.

Do mesmo modo, no prazo a 2 anos, a taxa, que tinha iniciado o dia nos 5,795%, fechou nos 5,272% e chegou a tocar um mínimo nos 5,113%.