O índice de referência nacional PSI20 recua 0,35%, penalizado pelos pesos-pesados e em linha com os pares europeus, após o Banco Central da China ter desvalorizado o yuan, para mínimos de quase três anos, em consequência de uma série de dados macroeconómicos preocupantes.

De acordo com a Reuters, o índice que segue as 300 maiores cotadas europeias, o Eurofirst 300 perde 0,53%.

As exportações chinesas caíram 8,3% em Julho, a maior queda em quatro meses, e os preços nas vendas industriais atingiram mínimos de Agosto de 2009.

O Banco Central da China descreveu a decisão como uma "depreciação extraordinária" de quase 2%, baseada numa nova forma de gerir a taxa de câmbio que refletisse melhor as forças do mercado, mas alguns economistas vêem a medida como uma forma de ajudar os exportadores.

"Achamos que esta medida pretende aliviar a pressão sobre o fraco desempenho das exportações da China, nos meses recentes, e atenue a pressão deflacionária importada", disse Guo Lei, economista na Founder Securities.

A segunda maior economia do mundo deverá registar um crescimento de 7 pct em 2015, o mais baixo em 25 anos.

Esta desvalorização pressiona o mercado de commodities, com o STOXX Europe 600 Basic Resources a desvalorizar 0,81%.

O preço do barril de Brent, em Londres, cai 0,58% para 50,12 dólares, e o de Crude Nymex recua 0,78% para 44,61 dólares.

"A desvalorização do yuan torna a importação de crude denominado em dólares mais cara para a China. Isto vai afectar a procura de crude, dado que a China é um dos maiores importadores", disse Daniel Ang da Phillip Futures.

Acrescentou, no entanto, que o impacto nos preços deverá ser apenas marginal, uma vez que questões cambiais, tipicamente, só pesam nos preços do petróleo no curto prazo.

O fabricante de automóveis e de bens de luxo também estão a ser contagiados pela crise na China, um mercado de exportação importante para estes sectores. O índice STOXX Europe 600 Automobiles & Parts afunda 2,11%.

A alemã BMW perde 2,74% e a Daimler 2,6%, enquanto o grupo Swatch tomba 3,59%.

Entre as principais praças europeias, apenas Atenas segue em terreno positivo e ganha 1,81%.

A Grécia fechou um acordo com os credores internacionais para o terceiro resgate financeiro, que permitirá ao país evitar a bancarrota, segundo fonte do Ministério das Finanças grego.

O resgate é estimado em até 86.000 milhões de euros (ME), e o objetivo do Governo de Alexis Tsipras é agora conseguir a aprovação do Parlamento Grego e do Eurogrupo, de forma a que os fundos sejam libertados antes de 20 de Agosto, quando a Grécia tem de fazer um reembolso de 3.200 ME ao Banco Central Europeu.

O euro aprecia-se 0,16% 1,1034 dólares.