O Banco Central Europeu (BCE) propõe investir 50 mil milhões de euros por mês na compra de dívida pública.

Segundo fontes da instituição citadas pela Bloomberg, esta flexibilização deverá manter-se até ao final de 2016, ou seja, esta proposta de compra de dívida soberana estima injetar 1,1 biliões de euros na economia nos próximos dois anos.

O porta-voz do BCE recusa comentar esta informação.

Recorde-se que o banco central reúne amanhã em Frankfurt. Os analistas antecipam a manutenção da taxa de juro, mas estão expectantes quanto ao programa de quantitive easing.

No passado dia 8 de janeiro, Mario Draghi admitiu, numa carta, decidir sobre a compra de dívida soberana para combater a baixa inflação na zona euro já no início deste ano.
 
Em resposta por escrito enviada ao eurodeputado do grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica Luke Flanagan, Draghi revelava que, «no início deste ano, o Conselho de Governadores vai reavaliar o impacto dos estímulos monetários introduzidos no segundo semestre de 2014».

A medida consiste no ajustamento da «dimensão, o ritmo e a composição das medidas do BCE – entre as quais poderá estar a compra de um conjunto variado de ativos, como de títulos dívida soberana», afirmou o presidente da autoridade monetária. 

A carta de Mario Draghi foi divulgada um dia depois de o Eurostat divulgar que a taxa de inflação homóloga da zona euro baixou para valores negativos no último mês do ano passado. A queda acontece pela primeira vez desde outubro de 2009, fixando-se nos -0,2%. 

A baixa inflação da zona euro tem vindo a preocupar a evolução da economia e pode vir a determinar uma ação em maior escala do BCE. Isto porque, o organismo pretende atingir, a médio prazo, uma taxa de inflação próxima, mas abaixo de 2%. 

O presidente do BCE já tinha dito que, se as perspetivas de inflação ficassem piores, o Conselho de Governadores adotaria «medidas não convencionais adicionais», incluindo a compra da dívida soberana. Além disso, o vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, já havia admitido a possibilidade de comprar títulos de dívida soberana a partir do primeiro trimestre de 2015, caso as medidas instaladas não estivessem a funcionar. 

Mais recentemente, Peter Praet, o economista-chefe do BCE, solicitou à instituição de Frankfurt o arranque do programa de compra de dívida soberana já no início de 2015.