O Banif concretizou o aumento de capital de 100 milhões de euros dirigido a investidores privados e colocou ainda 60 milhões de euros de euros em obrigações, tendo agora o Estado 68,393% do capital social do banco.

«A operação foi um grande sucesso. Foi feita num momento sensível, no decurso de uma crise política e do período estival, e, mesmo assim, teve uma procura que excedeu a oferta», disse o presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, na sessão de apresentação dos resultados destas operações.

Jorge Tomé disse ainda que «o Banif passou o teste do mercado», num momento em que o banco vai necessitar deste para concretizar outros passos do plano de reestruturação do banco.

Enquanto os 100 milhões de euros em ações (cada ação foi emitida a 1 cêntimo) foram emitidos e subscritos na totalidade, nas obrigações apenas foram colocadas 60,311 milhões de euros (cada obrigação custava um euro), aquém do total de 225 milhões de euros inicialmente colocado à disposição dos investidores.

Em janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas CoCo bonds), no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Em contrapartida, até final de junho, ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados, e comprometeu-se a devolver ao Estado 150 milhões de euros do financiamento público que obteve através das CoCo bonds.

Até final de junho, o Banif aumentou o seu capital em 100 milhões de euros, numa operação subscrita pelos seus principais acionistas (75 milhões de euros pela holding Rentipar, através da Açoreana Seguros, e 25 milhões de euros pelo grupo Auto-Industrial), reduzindo a participação do Estado para 86,881%.

Agora, o banco concretizou um novo aumento de capital de 100 milhões de euros, subscrito por investidores privados do retalho, o que deixa o Estado com 68,393% das ações.

O Banif fica, assim, a 250 milhões de euros de sair do controlo do Estado. Quando o banco aumentar o capital em 450 milhões de euros o Estado verá a sua participação reduzida para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.