A banca portuguesa tem sido sujeita a testes de resiliência abrangentes sobre a qualidade dos ativos e está preparada para enfrentar os exercícios que o Banco Central Europeu (BCE) vai fazer, realçou hoje o governador do Banco de Portugal.

«Os bancos portugueses foram sujeitos a um escrutínio muito profundo da qualidade dos ativos e dos mecanismos de gestão de risco. Portanto, estão muito bem preparados para enfrentar o novo exercício que vai ser lançado pelo BCE», afirmou aos jornalistas Carlos Costa, à margem de um evento em Lisboa.

«Todavia, é natural que haja diferenças ou de parâmetros, ou de cenários, nomeadamente nos testes de resiliência, que causem ligeiras diferenças - que podem ser positivas ou negativas, depende dos cenários -, mas essas diferenças não têm a ver senão com as metodologias seguidas», sublinhou o governador.

E reforçou: «Os bancos estão bem preparados para enfrentar os testes que resultam da passagem para a União Bancária».

Segundo Carlos Costa, «todas as imparidades que os auditores externos identificaram foram reconhecidas. E os auditores externos fizeram um levantamento de todas as situações e verificaram a qualidade dos ativos».

O responsável acrescentou que, «para utilizar uma linguagem simples, não ficou pedra por mexer» no que toca às inspeções feitas aos balanços do setor bancário português.

«Os resultados são apresentados com os auditores externos e as imparidades são reconhecidas. Os bancos que já apresentaram os balanços e as contas já reconheceram as imparidades, o que significa que tudo está resolvido», salientou.

Atualmente, «o que está em curso são as auditorias que tinham sido iniciadas e, se houver algum pequeno trabalho ainda a concluir, ainda é em termos das auditorias já em curso», frisou Carlos Costa.

«O que vai acontecer agora é um exercício específico, no quadro da transição para a União Bancária, para a qual os bancos portugueses estão bem posicionados, porque conhecem a metodologia, já fizeram exercícios e já reconheceram as imparidades. As diferenças, se acontecerem, são diferenças meramente de parâmetros, que tanto podem ser positivas como negativas, mas não se espera de forma nenhuma que tenham qualquer significado», concluiu o governador.

A avaliação do BCE a 128 bancos da zona euro, incluindo quatro portugueses - CGD, BCP, BPI e ESFG (a 'holding' que controla o BES), é composta por três fases: uma análise à qualidade do balanço dos ativos dos bancos (chamada 'Asset Quality Review, à data de 31 de dezembro deste ano), uma análise dos principais riscos que se colocam a cada entidade (seja de liquidez, alavancagem ou financiamento) e testes de stress, em que o BCE vai exigir um rácio de capital mínimo de 8%, no cenário base, e de 5,5%, no cenário adverso.

A instituição liderada por Mario Draghi faz estes exercícios antes de assumir a supervisão bancária única, um dos mecanismos da futura União Bancária.

O projeto da União Bancária implica três pilares. Além da supervisão única (a cargo do BCE), é composto pelo mecanismo único de resolução e o esquema comum de garantia depósitos, sobre o qual ainda não há acordo na Europa.