A alta exponencial dos últimos meses, as "bolhas" nos mercados acionistas [com a ações a disparem de preço sem se saber qual a razão] e o receio de inflação – subida dos preços - que levou à subidas dos juros das obrigações norte-americanas a 10 anos e da dívida soberana alemã para a mesma maturidade, estão a fazer tombar as bolsas há já sete sessões.

As quedas atraem quedas: seja pelo nível de preços, seja pela elevada volatilidade [muito sobe e desce de valor], há vendas automáticas, isto é vendas de fundos que têm determinados critérios, a partir dos quais têm mesmo que vender, o que vem amplificar a queda e a volatilidade”, esclarece de Paulo Rosa, negociador sénior e do Banco Carregosa.

Numa semana o Dow Jones, o principal índice norte-americano, perdeu 8,5% e esta quinta-feira voltou a descer 4,15%. Por arrasto, o principal índice chinês, o Shanghai Compósito, desvalorizou 4,05% e o Nikkei225 2,3%. Contas feitas uma queda semanal de 12% e 8%, respectivamente.

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Na Europa o vermelho volta a pintar a negociação bolsista desta sexta-feira. Depois de o alemão DAX30 de Frankfurt, um dos principais benchmarks da Europa, ter perdido ontem 2,3% e na última semana 5,71%. Esta sexta-feira as quedas não excedem, para já 2%, embora se tenham vindo a acentuar ao longa da manhã, com Lisboa a liderar e o PSI20 a descer 1,89%. 

Se há razões para preocupação? Para já não, mas o alerta está dado.

Esta queda é um forte sinal de alerta para os investidores. A subida nos últimos meses, nomeadamente nas bolsas dos EUA, tinha sido exponencial com máximos históricos consecutivos, e a par das várias bolhas maduras que existem nos mercados, desde o acionista ao imobiliário, as correções eram inevitáveis”, diz Paulo Rosa.

Acrescentado que “esta correção é um aviso para fortes ajustamentos bolsistas que mais cedo ou mais tarde irão surgir.”

O combustível que tem alimentado os mercados acionistas, nomeadamente as baixas taxas de juro e a compra de ativos através dos quantitative easing (QE), já acabou há dois anos nos EUA e Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, prepara-se também para inverter para contracionista [não injetar liquidez na economia] a política monetária.

Sobra a política orçamental expansionista da administração Trump que deverá estar praticamente descontada pelo mercado [no sentido que já está refletida no valor das ações].

Não há nada que possa alimentar os mercados acionistas nos próximos tempos, a não ser fortes ajustamentos para permitirem novas entradas bastante mais abaixo espelhadas num equilíbrio entre o valor de uma empresa e a sua cotação”, diz o economista.

Com o futuro das ações carregados de incerteza os investidores correram esta quinta-feira para “a liquidez.”

No sell-off da passada segunda-feira grande parte dos investidores que saiu das ações e refugiou-se nas obrigações do tesouro norte-americano, num  “flight to quality”, com a dívida pública a servir de alternativa o que está espelhado na queda das yields da treasuries a 10 anos de 2,84% para 2,70%. No sell-off de ontem, quinta-feira, já não verificou essa estratégia e a palavra chave foi a preferência por liquidez”, conclui o especialista.