O Governo de Angola deverá conseguir absorver a descida do preço do petróleo nas últimas semanas devido ao expectável aumento da produção até final do ano e à folga que construiu no primeiro semestre, estima o BPI.

De acordo com a nota mensal sobre os mercados africanos, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a equipa de analistas do banco português escreve que, «nos primeiros sete meses do ano, os preços médios do petróleo ficaram bem acima do preço de referência do Orçamento».

O preço de referência usado para o Orçamento foi de 98 dólares, uma «estimativa conservadora na altura», lê-se na nota, que acrescenta que «entre janeiro e julho, o preço médio esteve nos 107,4 dólares, o que pode ser suficiente para compensar a tendência de descida verificada no período mais recente».

Por outro lado, sublinham, «é de esperar um aumento da produção de petróleo no resto do ano, o que deve ajudar a compensar a redução nos preços do petróleo», já que a produção desceu de 1,75 milhões de barris por dia nos primeiros sete meses de 2013 para os 1,58 milhões no mesmo período deste ano.

O BPI nota ainda que, para ajudar as contas públicas angolanas, o Governo anunciou um «importante ajustamento aos preços dos combustíveis, compreendendo um aumento de 25% no preço da gasolina e do gasóleo», uma medida que tem sido frequentemente recomendada e que os analistas do banco português dizem, devido ao caráter progressivo, «parecer ser uma estratégia correta, dados os riscos causados pelo impacto na taxa de inflação».

O preço do petróleo nos mercados internacionais tem estado a cair gradualmente nos últimos três meses, mas acentuou a descida nas últimas semanas, chegando a cair 4 dólares só num dia - terça-feira, 14 de outubro -, para 85 dólares por barril, enquanto em junho, no seu pico, cada barril de Brent custava 115 dólares.