As ações do Banif renovaram esta sexta-feira o mínimo histórico, ao fecharem a valer cinco cêntimos, depois de no acumulado da semana terem perdido cerca de 40% quando o banco está a levar a cabo um aumento de capital.

Esta semana, apenas na segunda-feira é que os títulos do Banif fecharam no verde e desde então têm estado sempre a cair, num momento em que o banco está a levar a cabo um aumento de capital de 100 milhões de euros, com a venda ao público de ações a um cêntimo, dando também a possibilidade a quem comprar ações de adquirir obrigações com uma taxa de juro anual de 7,5%.

Segundo um especialista de mercado ouvido pela Lusa, o «comportamento em bolsa do Banif é normal» e parte da explicação tem a ver com um «mero ajustamento ao preço teórico do aumento capital», a que se justa a queda que esta semana sofreram todos os títulos do setor financeiro em resposta à crise política.

«O preço a que o Banif chegou hoje já me parece exagerado, mas até seis cêntimos é ajustar o preço ao aumento de capital», afirmou a mesma fonte de mercado.

Em janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas 'CoCo' bonds), no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Em contrapartida, até final de junho, Banif ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados, e comprometeu-se a devolver ao Estado 150 milhões de euros do financiamento público que obteve através das 'CoCo bonds'.

No entanto, até final do mês passado, o Banif apenas aumentou o seu capital em 100 milhões de euros, que foi subscrito pelos seus principais acionistas (a «holding» Rentipar, através da Açoreana Seguros, e do grupo Auto-Industrial), reduzindo a participação do Estado no Banif para 86,881%.

O aumento de capital agora em curso, se for concretizado, vai reduzir a participação do Estado para 77,3% e permitirá ao banco ter o capital suficiente para pagar os 150 milhões de euros ao Estado do financiamento que obteve.