O Presidente do Banco Central Europeu saudou esta quinta-feira os compromissos das autoridades portuguesas para preparar medidas a realizar "quando" necessário mas, ao mesmo tempo, advertiu o Governo no que toca ao caminho a seguir em relação às reformas necessárias para melhorar a economia portuguesa. Os elogios foram dirigidos mais a quem esteve à frente do país nos anos da austeridade, o anterior Executivo PSD/CDS, com Mario Draghi expectante quanto a algumas medidas da equipa de Costa, como o Plano Nacional de Reformas.

O líder do BCE está em Lisboa a convite do Presidente da República para participar no Conselho de Estado desta quinta-feira, as reformas levadas a cabo pelo anterior Governo, num contexto de dolorosa austeridade, representaram "esforços notáveis" que não devem ser atirados ao chão.

"Os esforços para reformas em Portugal foram tanto notáveis como necessários. Observamos agora sinais claros de que esses esforços notáveis estão a dar fruto dentro e fora do país", afirmou, na apresentação que fez aos conselheiros de Estado, e que já foi publicada no site do Banco Central Europeu. 

Não se justifica anular as reformas anteriores"

 

O presidente do BCE elogia, assim, o anterior Governo. Quanto ao atual, saúda os "compromissos" assumidos e as medidas extra que estão a ser preparadas para aplicar "quando necessário" e congratula-se com o facto de a Comissão Europeia considerar que oOrçamento naõ tem em si um "incumprimento particularmente grave" das disposições do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Importante será o Governo não se desviar do caminho, mesmo que tenha pressões para isso. 

A recuperação também está a ganhar terreno em Portugal: a economia portuguesa regista atualmente o mesmo ritmo de crescimento que o conjunto da área do euro e o desemprego apresenta uma tendência claramente descendente. Não obstante, os sinais de retoma da área do euro e de Portugal não devem dar azo a comprazimento. 

Lembrando que o BCE não pode "criar sozinho as condições para uma recuperação sustentável do crescimento", embora tenha anunciado mais estímulos económicos recentemente, Draghi insta o Governo, nomeadamente, a melhorar o funcionamento do mercado de trabalho e também reformas que incentivem as empresas a investir.

É "essencial", no seu ver, acelerar o ritmo de reformas na zona euro e Portugal deve fazê-lo. 

A esse respeito, constatei com grande interesse que hoje será também discutido o Programa Nacional de Reformas"

Draghi mostrou-se preocupado, no seu discurso, com os jovens que não têm trabalho: "Apesar de ser a geração com o nível de educação mais elevado de sempre, os jovens de hoje estão a pagar um preço alto pela crise" e Portugal é prova disso: "Mesmo agora, aproximadamente um terço da população ativa jovem continua sem ter emprego". Daí que, para "evitar criar uma 'geração perdida', seja preciso "agir com rapidez".

"Sinais de retoma não devem dar azo a comprazimento"

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, afirmou acolhe com agrado o compromisso das autoridades portuguesas em preparar medidas adicionais para cumprir as determinações do Pacto de Estabilidade e Crescimento. "Acolhemos igualmente com agrado o compromisso das autoridades portuguesas em preparar medidas adicionais, destinadas a ser implementadas quando necessário para assegurar a conformidade", afirmou.

Draghi referiu que persistem "desafios importantes, dado a área do euro continuar a ser negativamente afetada por um crescimento potencial reduzido e por um desemprego estrutural elevado". Segundo o presidente do BCE, a recuperação na zona euro está atualmente a avançar a um ritmo moderado, com o apoio das medidas de política monetária adotadas pelo banco central.

Todavia, o investimento permanece fraco, uma vez que a incerteza acrescida no que respeita à economia mundial e aos riscos geopolíticos mais abrangentes pesam sobre o sentimento dos investidores", apontou.

"A recuperação também está a ganhar terreno em Portugal", considerou Draghi, salientando que a economia portuguesa regista o mesmo ritmo de crescimento que o conjunto da zona euro e "o desemprego apresenta uma tendência claramente descendente". Mas, para o presidente do BCE "os sinais de retoma" tanto na zona euro como em Portugal "não devem dar azo a comprazimento".

É a primeira vez que uma personalidade estrangeira é convidada para um Conselho de Estado, este que é o primeiro do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa e que se realiza nem um mês depois de o novo chefe de Estado ter tomado posse.