O Banco Central Europeu (BCE) decidiu espaçar as suas reuniões de política monetária, que a partir de 2015 deixam de ser mensais e passam a ser de seis em seis semanas, anunciou Mario Draghi.

Em conferência de imprensa, o presidente do BCE disse também que o relatório de cada reunião passa a ser publicado a partir dessa data, à semelhança do que já faz a Reserva Federal, o banco central norte-americano.

«A frequência das nossas reuniões de política monetária será alterada para um ciclo de seis semanas, a partir de janeiro de 2015. Além disso, anunciamos o nosso compromisso de publicar o resumo das reuniões de política monetária, o que deve começar com a reunião de janeiro 2015», disse Draghi.

«O BCE não pode e não deve agir todos os meses», afirmou Draghi, acrescentando que «a situação atual é mais complexa do que há alguns anos» e leva a que o BCE se adapte.

«As nossas medidas de política monetária não são tomadas com base em considerações de curto prazo», afirmou, considerando que as reuniões mensais são «muito apertadas».

Desde a sua criação, o Conselho de Governadores do BCE, composto pelos seis membros da direção e pelos 18 governadores dos bancos centrais dos países da zona euro, reúne-se na primeira quinta-feira do mês para avaliar a orientação da sua política monetária e o nível das taxas de juro.

Mario Draghi referiu que isso leva «a um certo comportamento dos mercados que pode não ter nada a ver com os fundamentos» económicos. Pretende-se evitar «expetativas que tenham consequências nos mercados».

Questionado sobre uma coordenação das reuniões do BCE com as da Fed, Draghi afirmou que não prevê «sincronizar as reuniões com quem quer que seja».

Na sua reunião desta quinta-feira, o BCE manteve inalterada a taxa de juro diretora em 0,15%, um nível historicamente baixo.