O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que as taxas de juro na zona euro podem descer ainda mais, depois do corte anunciado esta quinta-feira.

"As taxas de juro vão ficar nos níveis atuais ou mais baixos por um longo período, para lá do fim do programa de compra de ativos", que deve terminar em março de 2017, disse Draghi em conferência de imprensa.

Atualmente "não antecipamos que seja necessário baixar mais as taxas de juro", no entanto, "as condições podem mudar", afirmou Draghi.

O BCE cortou esta quinta-feira a taxa de juro da zona euro para 0%. Este anúncio foi recebido com surpresa: a taxa estava já em mínimos históricos, nos 0,05%.

O banco central cortou também a taxa de depósitos para terreno ainda mais negativo: - 0,40%. Esta taxa estava nos 0,30%, o que representa uma descida de 10 pontos base. Esta medida tem efeitos a partir de 16 de março.

Ainda noutra grande ação, Draghi aumentou a compra do programa de compra de ativos de 60 mil milhões de euros para 80 mil milhões, com início já em abril.

Na reunião desta quinta-feira, o banco reduziu também a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez para 0,25%, um corte de cinco pontos base

Estas medidas fazem parte de um pacote arrojado por parte do banco central para dar um empurrão ao crescimento económico da zona euro.

Os bancos da zona euro insurgem-se contra a taxa de depósitos negativa, que os penaliza, mas Draghi sublinhou que a rentabilidade dos bancos, no conjunto, não será prejudicada pelo nível de taxas.

"Isso significa que podemos descer a um nível mais negativo sem ter efeitos no sistema bancário? A resposta é não", acrescentou.

O BCE adotou um sistema de compensação para os bancos: no âmbito de uma nova série de empréstimos de longa duração que será concedida a partir de junho, poderá haver juros negativos, ou seja podem ser pagos para contraírem empréstimos junto do banco central, com a condição de o dinheiro ser colocado como crédito à disposição de particulares e empresas.

BCE revê em baixa previsões de crescimento e de inflação

O BCE reviu em baixa, também esta quinta-feira, as previsões de inflação e de crescimento para a zona euro em 2016 e 2017, tendo em conta, em particular, a debilidade do preço do petróleo.

A instituição monetária de Frankfurt baixou a previsão de inflação de 1% para 0,1%, de acordo com os números anunciados por Mario Draghi, presidente do BCE.

Para 2017, o BCE prevê uma inflação de 1,3% quando a anterior previsão era de 1,6%. Para 2018, a inflação será de 1,6%.

As previsões de crescimento para este ano também tiveram um corte de três décimas e passaram para 1,4%.

Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) deve aumentar 1,7% (1,9% nas previsões de dezembro) e em 2018 crescerá 1,8%.