O Banif tinha mais de 350 mil depositantes à data da resolução, dos quais 7.411 clientes com depósitos superiores a 100 mil euros, o valor máximo abrangido pela garantia de depósitos, informou esta terça-feira o ministro das Finanças.

"O Banif tinha 356.457 depositantes. Desses, 7.411 tinham depósitos acima dos 100 mil euros e, destes, 6.374 eram particulares", afirmou Mário Centeno no parlamento.


O montante médio dos depósitos acima dos 100 mil euros era de 283 mil euros, avançou o governante.

Mário Centeno revelou também que "os depósitos no banco à data da resolução são de aproximadamente cinco mil milhões de euros".

"O banco perdeu mil milhões de euros em depósitos e não estou a dizer que essa perda ocorreu na semana anterior à resolução", realçou o governante.


O ministro vincou que, em caso de liquidação, "todos os postos de trabalho eram perdidos" e "todos os depositantes acima de 100 mil euros perderiam os seus depósitos".

Mário Centeno falava durante a sua audição na Comissão de Orçamento e Finanças, devido ao Orçamento Retificativo apresentado pelo Governo para acomodar os custos relacionados com a medida de resolução aplicada ao Banif no último fim de semana.
 

Administração do Banif foi "natualmente ouvida"


O ministro das Finanças garantiu que os elementos do Conselho de Administração do Banif foram ouvidos sobre a solução adotada para o banco, que passou por uma medida de resolução com venda de ativos.

"A administração do Banif conduziu o processo de venda, que começou no final do verão, e foi naturalmente ouvida, porque foi a administração do Banif que informou as autoridades sobre as ofertas que existiam para o Banif", afirmou o governante, no parlamento, reforçando que "todos os intervenientes do processo estavam informados sobre as condições de sucesso do processo sem intervenção do Fundo de Resolução".


Paralelamente, o ministro das Finanças destacou que "a administração de Jorge Tomé foi reconduzida ainda este ano" pelo executivo de Passos Coelho.

Isto, numa altura em que era confrontado por alguns deputados sobre o fracasso dos sucessivos planos de reestruturação do Banif que eram enviados para Bruxelas.

A Lusa noticiou esta terça-feira que o Conselho de Administração do Banif demarcou-se, numa carta enviada aos colaboradores, da solução encontrada de venda do banco ao Santander, alegando que "não foi ouvido nem incluído nas negociações" desenvolvidas pelas autoridades.

"A opção que agora foi encontrada pelas autoridades não é a solução deste Conselho de Administração, que não foi ouvido nesta decisão, nem incluído nas negociações que a concretizaram", lê-se na carta do Banif a que a Lusa teve hoje acesso.


Na missiva, com data de domingo, o Conselho de Administração, que agora cessa funções, salienta que a venda do Banif encerra "um ciclo de vários anos de luta pela sobrevivência do banco, enquanto entidade prestadora de serviços bancários universais, autónoma e independente".

O Governo e o Banco de Portugal optaram pela venda do Banif ao Banco Santander Totta, por um valor de 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação.