O presidente eleito do Eurogrupo, Mário Centeno, deslocou-se esta segunda-feira a Bruxelas, já na condição de futuro líder do fórum informal de ministros das Finanças da zona euro, trabalho que admitiu ser “bastante exigente”, à luz do seu lema de “geração de consensos”.

Em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião com o vice-presidente da Comissão responsável pelo Euro, Centeno, que assume a presidência do Eurogrupo no próximo sábado, apontou que o encontro com Valdis Dombrovskis “correu bastante bem” e adiantou que ambos exploraram “a agenda comum” que têm pela frente nos próximos meses, “uma agenda intensa, importante para a evolução futura da União Económica e Monetária”, e que necessita naturalmente de consensos.

Reconhecendo que essa agenda comum assenta em temas que “estão na mesa já há bastante tempo”, como o aprofundamento da união bancária e da união de capitais nas suas diferentes facetas, Centeno disse que a “expetativa é que este processo se possa aprofundar significativamente nos próximos meses”.

Estamos a falar de dotar o fundo de resolução único europeu de um mecanismo de suporte financeiro para a liquidez e para a solvência dos bancos, estamos a falar do mecanismo de depósitos europeu, e de outros mecanismos financeiros que possam garantir uma estabilização efetiva do sistema financeiro europeu e promotora de crescimento”, assinalou.

Segundo Centeno, estão reunidas agora as condições para se fazer avanços significativos nestas matérias, e esse contexto favorável “obviamente não tem apenas a ver com a nova presidência do Eurogrupo”, que assumirá no próximo sábado.

Tem a ver com a felicidade de termos um enquadramento político de início de ciclos políticos em muitos países da UE – Alemanha, França e Itália, que vai para eleições – e que isto possa também trazer uma vontade de estabelecer novas metas e novas instituições na Europa que promovam essa convergência e esse crescimento que felizmente a Europa hoje está a viver, mas sempre numa lógica de geração de consensos, e é nessa geração de consensos que a presidência do Eurogrupo pode – e, estou convencido, irá - fazer o seu papel”, declarou.

O ministro das Finanças observou que desde dezembro (quando foi eleito) tem mantido múltiplos contactos, recordando que o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, se deslocou a Lisboa ainda antes do Natal, disse que tem estabelecido contactos muito próximos com o secretariado do Eurogrupo e com o Mecanismo Europeu de Estabilidade, e garantiu que este conjunto de contactos vai continuar, exemplificando com a deslocação a Lisboa, já na terça-feira, do ministro das Finanças holandês.

É um trabalho que é bastante exigente de coordenação e de uma procura de gerar consensos”, sintetizou, regressando àquele que já foi o seu lema na primeira conferência de imprensa em Bruxelas imediatamente após ter sido eleito para suceder a Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo.

Da reunião com Dombrovskis, na sede do executivo comunitário, Centeno rumou a outro edifício da Comissão imediatamente ao lado para participar, enquanto futuro presidente do Eurogrupo, numa conferência sobre o orçamento plurianual da União Europeia.

O orçamento da União é um dos mais importantes instrumentos da política europeia, promotora da concorrência, da competitividade, da coesão e da convergência que todos queremos entre os diferentes países da União”, comentou Centeno aos jornalistas.

Já na conferência, na qual discursou em inglês, observou que todos concordam que a ação da União deve ser guiada pelo princípio da subsidiariedade e defendeu que “o foco da União deve ser reduzir os fossos e construir com base nas sinergias da ação comum”.

“Neste painel, todos temos experiência governativa. Sabemos que, ao desenhar um orçamento, têm que ser feitas escolhas difíceis e os recursos são sempre limitados. Temos de estabelecer prioridades e ser eficientes na sua implementação. Todas as necessidades de despesa devem ser escrutinadas e claramente relacionadas com as necessidades dos cidadãos. Essa é a regra dourada de uma operação orçamental, na minha perspetiva”, disse.

Desse modo, defendeu, ao enfrentar novos desafios, o orçamento da UE deve reformar-se, adaptar-se, “tanto em natureza como em volume”.

“A próxima moldura financeira da UE tem de ser mais simples, mais equitativa e mais transparente”, advogou o presidente eleito do Eurogrupo.