A ministra das Finanças mantém "categoricamente" que Portugal vai sair do procedimento por Défice Excessivo este ano, contrariando as previsões da Comissão Europeia divulgadas esta terça-feira. "Mantenho que vai sair do Processo por Défice Excessivo. Categoricamente", afirmou Maria Luís Albuquerque aos jornalistas, após uma palestra na universidade London School of Economics. 

Nas previsões económicas da primavera, publicadas esta terça-feira, a Comissão Europeia atualizou as suas estimativas para as economias da União Europeia e, no caso de Portugal, espera que o défice orçamental seja de 3,1%, abaixo dos 3,2% que previa em fevereiro. 

Contudo, estima que ficará quatro décimas de ponto percentual acima das previsões do Governo para este ano, que espera que o défice caia para os 2,7%.

"Só vi os números, não vi o texto, portanto não tenho condições para comentar", vincou a ministra, salientando o facto de Bruxelas ter revisto o valor em baixa. 

"Estão cada vez mais próximos da nossa previsão", saudou Maria de Luis Albuquerque. 

Durante a sua intervenção, a ministra manifestou outras discordâncias com avaliações das organizações internacionais a Portugal, nomeadamente sobre a alegada falta de reformas. 

"Dizem que perdemos o ímpeto reformador. Não concordamos com esta opinião.  

Continuamos a aprovar medidas e a fazer um esforço reformador", garantiu. 

Maria Luís Albuquerque afirmou que o impacto das reformas está em avaliação para a necessidade de serem recalibradas e que mais reformas serão introduzidas. 

"Aparentemente esperam que façamos todo o tipo de reformas e resolvamos todo o tipo de problemas num espaço de quatro anos, mas não é possível", argumentou. 

A ministra manifestou-se confiante num acordo para a Grécia permanecer no euro, rejeitando que a reunião de segunda-feira do Eurogrupo seja decisiva. 

"O nosso cenário central é que a Grécia fique na zona euro porque é o que os gregos querem e não estamos a falar de outro cenário", afirmou. 

Maria Luís Albuquerque já tinha protagonizado uma conferência esta manhã em Londres a convite da agência Bloomberg. 

À tarde é convidada do programa "Hardtalk" da BBC e à noite janta com investidores.