A ministra das Finanças disse esta sexta-feira que na reunião do Eurogrupo houve um "tom de frustração" quanto à situação da Grécia, por falta de progressos após dois meses de negociações, e que ainda não houve entendimentos em áreas específicas.

Houve um "tom de alguma frustração por não se registarem progressos e já se ter passado bastante tempo e estarmos numa situação que nos preocupa a todos", disse Maria Luís Albuquerque aos jornalistas, após o encontro que juntou os 19 ministros das Finanças e da Economia da zona euro, em Riga, capital da Letónia.


Sobre cenários alternativos que já estarão a ser estudados para a Grécia, a governante garantiu que todos os Estados-membros da zona euro "continuam empenhados" num acordo abrangente, tal como foi definido há dois meses, e reiterou que esse entendimento "é cada vez mais urgente".

Também o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse aos jornalistas, após o Eurogrupo, que "o tempo se está a esgotar" no caso da Grécia, mas falou também em "sinais positivos" nos últimos dias, apesar de referir que ainda falta percorrer muito caminho para se chegar a um acordo.

A ministra das Finanças portuguesa explicou que, da informação que é transmitida no Eurogrupo, o que melhorou é que "parece haver um melhor entendimento entre as partes" mas, adiantou, isso não significa para já qualquer acordo em áreas específicas.

"Em termos de progresso real, de haver acordo sobre alguma área especificamente, infelizmente não", afirmou, remetendo essa responsabilidade para a Grécia.


A Grécia está desde fevereiro a negociar com o chamado Grupo de Bruxelas - constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e ainda Mecanismo Europeu de Estabilidade - reformas estruturais e medidas de consolidação orçamental para que possa aceder à última tranche do programa de resgate, de 7,2 mil milhões de euros.

Durante várias semanas este Eurogrupo foi apontado como aquele em que deveria haver um acordo - pelo menos preliminar - que permitisse a Atenas ultrapassar o impasse, mas as dificuldades em chegar a um entendimento com os credores levou a que nos últimos dias esta reunião tenha perdido importância neste tema.

As instituições continuam a exigir medidas mais aceitáveis, sobretudo em termos de finanças públicas, pensões, legislação laboral e privatizações.

Pelo seu lado, o Governo liderado por Alexis Tsipras tem algumas ‘linhas vermelhas' que nega ultrapassar, como maior liberalização dos despedimentos no setor privado ou corte das pensões.

Quando, em fevereiro, foi prolongado o atual programa de resgate da Grécia, até junho, ficou definido o mês de abril como aquele em que deveria haver um acordo abrangente quanto às medidas a adotar por Atenas.