A antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque disse, esta quarta-feira, no Parlamento, que o executivo PSD/CDS-PP a que pertenceu rejeitou sempre a ideia de Bruxelas de limitar o Banif a atuar na Madeira e nos Açores.

O tema, declarou hoje a antiga governante no parlamento, era recorrente nas reuniões com a Comissão Europeia a partir de meados de 2013.

"Sempre rejeitámos essa hipótese porque acreditávamos que inviabilizava o banco", declarou a atual deputada e vice-presidente do PSD, que está a ser ouvida na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif.

O tema "desaparecia, e ciclicamente reaparecia" nas reuniões com a DG Comp [Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia], sinalizou Maria Luís Albuquerque.

O tema é um dos recorrentes nas audições da comissão de inquérito: O ex-presidente executivo do Banif Jorge Tomé revelou na sua audição, na semana passada, que, logo após a recapitalização pública do banco (janeiro de 2013), a Comissão Europeia disse que queria que a atividade do Banif fosse limitada às regiões autónomas.

"Não andei a gerir bancos"

A antiga ministra das Finanças disse ainda que "gerir bancos" não era uma função da sua competência e foi perentória ao afirmar que "a separação de poderes é uma coisa saudável na atribuição de responsabilidades".

"Eu, enquanto ministra das Finanças, não andei a gerir bancos. Não fazia parte do meu mandato. Um ministro das Finanças serve para gerir o ministério e atribuir mandatos às administrações dos bancos nos casos em que o Estado seja acionista único ou minoritário", prosseguiu a antiga governante, no parlamento.

Maria Luís Albuquerque, atual deputada e vice-presidente do PSD, respondia ao deputado do PCP Miguel Tiago na comissão de inquérito sobre o Banif - o parlamentar comunista havia trazido para debate o adquirir de créditos do Banif com o Estado na administração da entidade.

Em causa está, por exemplo, a compra de créditos por parte da Whitestar, empresa filial da Arrow Global, grupo britânico que recentemente contratou a antiga governante para um cargo de administradora não executiva.

"Não é função de um ministro das Finanças gerir bancos nem decidir que um banco vende uma carteira de crédito ou dá crédito a esta ou àquela empresa. Isso está dentro do mandato do conselho de administração", prosseguiu Maria Luís Albuquerque, numa das trocas de palavras mais acesas de uma reunião que, pelas 22:45, levava já mais de quatro horas de duração.

A atual deputada do PSD e recém-eleita vice-presidente do partido começou a ser ouvida na comissão de inquérito cerca das 18:30, uma hora depois do arranque previsto. A atrasar o começo dos trabalhos esteve o prolongar do plenário da Assembleia da República.

Os trabalhos estiveram esta noite parados cerca de 20 minutos e foram retomados pelas 22:00, ainda na primeira ronda de perguntas dos deputados dos vários partidos com assento na comissão.