A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque esclareceu esta quarta-feira que a Ample só teve "uma manifestação de interesse" pelo Banif e não chegou "sequer" a ir a concurso para adquirir a participação do Estado no banco. O Governo pretendia uma venda competitiva e na altura da manifestação de interesse não havia "condições" para o concurso ser aberto. Quando foi, a Ample nem apresentou qualquer proposta. O banco, recorde-se, acabou por sofrer uma resolução, já durante a governação de António Costa, e a parte boa do banco foi vendida ao Santander por 150 milhões de euros.

Estas afirmações da ex-governante surgem a propósito da manchete do Público desta quarta-feira, que intitula "Governo de Passos recusou proposta de compra de 700 milhões pelo Banif". O jornal escreve que esta proposta era mais do que uma "mera manifestação de interesse", uma vez que tinha um valor de referência e admitia manter todos os empregos e balcões.

Maria Luís Albuquerque recusa que assim seja, dizendo que foi "uma manifestação de interesse como outras" que foram recebidas e que "esse investidor em particular nem sequer veio ao concurso", afirmou aos jornalistas, na Assembleia da República, antes de entrar para a Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, depois de ter sido questionada sobre o assunto.

"Suponho que todos os documentos constem da comissão e, portanto, há de estar lá essa intenção como as outras. Era uma manifestação de interesse como outras que recebemos. [O Governo entendeu que] não havia condições na altura para abrir um concurso. Estávamos a preparar o processo de reestruturação para abrir um concurso de venda que efetivamente aconteceu antes do final do ano e o investidor em causa, que é hoje referido nas notícias, nem sequer veio a esse concurso"

Quando questionada sobre as razões que levaram o anterior executivo a não considerar esta proposta da Ample, Maria Luís Albuquerque afirmou que "quando o Estado tem uma participação para vender, tem de o fazer em determinadas condições".

Por exemplo, "não o pode vender a ofertas particulares, teria de abrir um processo competitivo, teria de selecionar os compradores que viriam a comprar a participação do Estado", especificou.

Maria Luís Albuquerque garantiu que, na altura, o governo estava "muito empenhado em concluir o processo com a Direção-Geral da Concorrência" da Comissão Europeia e sabia que "seria impossível vender o banco sem que esse processo estivesse concluído".